A Alliança Saúde anunciou na manhã desta quinta-feira, 19, ter entrado com um pedido de proteção judicial contra execuções de credores. Diante de uma dívida de R$ 1,3 bilhão, a medida cautelar antecedente visa impedir uma corrida de credores enquanto o grupo segue com uma negociação em câmara de mediação empresarial especializada, instaurada nesta quarta-feira, 18.

Segundo a ação a que o Estadão/Broadcast teve acesso, a empresa alega que a proteção foi motivada por uma “conduta beligerante” de um dos credores, a Siemens, durante negociações já em curso. O documento narra que ambas tinham um acordo de crédito e que, posteriormente, o credor fez uma retenção de mais de R$ 10 milhões de suas contas bancárias.

O grupo, dono de marcas como Axial, CDB e Multilab, alega que a Siemens fez uma notificação extrajudicial para rompimento do contrato entre as duas partes e declarou a incidência retroativa de taxa de juros de inadimplemento e passou a manter uma prerrogativa de cancelar desembolsos remanescentes, declarar o vencimento antecipado de dívidas e exercer mecanismos de bloqueios patrimoniais.

Segundo o documento, o credor alega que as medidas tomadas se dão em razão de alterações no controle societário da Alliança e descumprimento de obrigações contratuais — o que é negado pela empresa de clínicas de diagnósticos.

A Alliança diz que a “estrutura arquitetada pela Siemens relativa aos recebíveis ofertados em garantia confere a ela a aptidão para interferir diretamente em todo o fluxo financeiro do Grupo Alliança, inclusive sobre receitas operacionais essenciais, essencialmente travando todo o fluxo financeiro”, diz.

Apesar de a ação ser motivada, principalmente, pela relação com a Siemens, a proteção solicitada deve abranger todos os credores convocados para a mediação instaurada, para seguir com as negociações e evitar um eventual pedido de recuperação judicial.

O documento cita um risco de credores começarem a cobrar vencimento antecipado de contratos financeiros, que somam R$ 1,1 bilhão, o que inviabilizaria por completo a sua operação e justifica o pedido de proteção. Afirma, inclusive, que esse movimento já se mostrou realidade quando o Itaú Unibanco, credor, entrou com um processo de execução extrajudicial para bloquear cerca de R$ 4 milhões do conglomerado.

No início do mês, o fundo de investimento Tessai, gerido pela Geribá Investimentos, passou a ser controlador do Grupo Alliança, tomando o lugar do empresário Nelson Tanure.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Tarifas derrubadas: Quais são as outras opções de Trump após derrota na Suprema Corte?

Tarifas derrubadas: Quais são as outras opções de Trump após derrota na Suprema Corte?

Tarifas, juros e política: o roteiro americano que ameaça a economia, segundo…
EUA querem concluir apurações comerciais ‘em meses’ após abrir investigação contra o Brasil

EUA querem concluir apurações comerciais ‘em meses’ após abrir investigação contra o Brasil

O representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês),…
Trump diz que preços do petróleo cairão rapidamente quando ameaça nuclear do Irã terminar

Trump diz que preços do petróleo cairão rapidamente quando ameaça nuclear do Irã terminar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu neste domingo, 8, em…
Quem ganha mais: engenheiro em SP, militar no exterior ou juíz em Goiás? Veja vídeo

Quem ganha mais: engenheiro em SP, militar no exterior ou juíz em Goiás? Veja vídeo

Quem ganha mais: engenheiro em SP, militar no exterior ou juíz em…