O cenário atual das cadeias globais de suprimento do setor agroalimentar passa por transformações profundas e urgentes, motivadas por conflitos e mudanças climáticas severas em todo o mundo.
Especialistas reunidos na Universidade de Harvard discutiram recentemente como construir resiliência diante de um mercado internacional que parece ter perdido suas regras de equilíbrio tradicionais.
O debate destacou que a eficiência deu lugar à soberania nacional, transformando o comércio em uma questão de segurança estratégica, conforme divulgado pelo Estadão.
O novo cenário das cadeias globais de suprimento no agronegócio
Vivemos em um mundo onde as normas do pós-guerra perderam força, abrindo espaço para o protecionismo. O retorno de tarifaços e cotas sinaliza que a segurança alimentar agora é tratada como segurança nacional.
Nesse novo contexto, os Estados Unidos implementaram tarifaços unilaterais, enquanto a China foca em uma política de autossuficiência para reduzir a dependência externa de soja e carnes.
O impacto das políticas de grandes potências
A estratégia chinesa envolve injeção maciça de tecnologia no campo e redução do uso de farelo de soja em rações. Embora a execução seja lenta, o objetivo de reduzir importações é uma meta real de Estado.
Somam-se a isso as disrupções logísticas causadas por guerras, que afetam o suprimento de fertilizantes e energia. Tais eventos elevam a volatilidade dos preços e aumentam a insegurança alimentar no planeta.
A armadilha do protecionismo e a segurança alimentar
Fechar fronteiras em nome da soberania é visto como um erro técnico. Apenas 20% das calorias consumidas no mundo vêm do comércio, o que mostra que o agronegócio ainda é pouco integrado globalmente.
O comércio internacional é essencial para preencher lacunas onde a produtividade é baixa. Enquanto o Brasil cresce 2,5% ao ano em produtividade, regiões como a África Subsaariana crescem apenas 0,4%.
Trust-shoring: o Brasil como parceiro estratégico
A nova tendência sugere que a resiliência não vem da autossuficiência, mas da diversificação. O Brasil pode se destacar através do trust-shoring, posicionando-se como um fornecedor grande, confiável e competitivo.
Em um sistema aberto, a diversificação de rotas e fornecedores absorve choques melhor do que sistemas fechados. Ser o parceiro em quem o mundo confia é a grande vantagem competitiva para o setor produtivo brasileiro.
O futuro além da China e o foco em bioenergia
A demanda mundial está mudando de endereço. A participação da China no consumo deve cair, enquanto Índia e Sudeste Asiático ganham relevância, embora ainda não possuam a mesma classe média emergente.
O próximo motor do setor pode não ser apenas o alimento, mas a segurança energética. Novos processos de bioenergia prometem transformar a dinâmica das exportações e criar novos nichos de mercado global.
A fonte original deste conteúdo é o Estadão, que pode ser lido na íntegra no link: https://www.estadao.com.br/economia/marcos-jank/cadeias-globais-de-suprimento-do-agronegocio-enfrentam-novos-desafios/







