O Brasil acaba de conquistar uma posição de destaque no cenário global da sustentabilidade. Mesmo com um cenário internacional incerto, o país se consolidou como uma das maiores potências em energia limpa, superando inclusive os Estados Unidos em eficiência.
Esse avanço ocorre em um momento crucial, onde o mundo busca reduzir emissões, mas enfrenta uma desaceleração em políticas públicas. O relatório aponta que o Brasil lidera na América Latina com um sistema elétrico altamente renovável e diversificado.
As conclusões fazem parte de um levantamento do Fórum Econômico Mundial, que avaliou o desempenho de diversas nações em segurança e sustentabilidade, conforme divulgado pelo Estadão.
Brasil assume liderança na transição energética e desbanca potências globais
O Brasil figura atualmente na 17ª posição no Índice de Transição Energética (ETI), ficando à frente dos Estados Unidos, que ocupam o 19º lugar. Esse índice avalia como os países equilibram segurança, equidade e sustentabilidade em seus sistemas.
De acordo com o relatório, desenvolvido em colaboração com a Accenture, o investimento global em transição energética atingiu o volume recorde de US$ 3,3 trilhões, sendo que US$ 2,3 trilhões foram destinados especificamente para energia limpa.
Apesar desses números impressionantes, o estudo alerta que o impulso global perdeu fôlego. Pela primeira vez em mais de uma década, houve um recuo nas políticas públicas voltadas para a mudança da matriz energética em diversas regiões do mundo.
Os pilares do sucesso brasileiro em energia renovável
Na América Latina, o Brasil é o líder absoluto. O país combina um forte fornecimento doméstico com um sistema elétrico altamente renovável, expandindo constantemente o uso de energia solar, eólica e biocombustíveis em larga escala.
Outro ponto de destaque é o investimento em combustíveis sustentáveis para a aviação e o fortalecimento da rede elétrica. As perdas de transmissão e distribuição caíram significativamente, fruto de anos de aportes financeiros contínuos no setor.
Essa eficiência contribuiu para melhorar o desempenho do maior sistema elétrico interligado da América Latina. Enquanto o Brasil avança, outras grandes economias, como a China, ocupam a 14ª colocação, escalando investimentos em níveis recordes.
Desafios globais e a fragmentação do mercado de energia
A demanda global por eletricidade cresceu 3%, impulsionada pela eletrificação e pelo avanço da Inteligência Artificial. No entanto, o capital para energia limpa permanece concentrado em poucos países, o que amplia a desigualdade no setor.
As economias emergentes representam 80% do crescimento da demanda, mas enfrentam custos de financiamento altos e falhas de infraestrutura. Roberto Bocca, do Fórum Econômico Mundial, afirma que a transição energética não está retrocedendo, mas está se fragmentando.
O estudo destaca que riscos de fornecimento e choques geopolíticos, como as interrupções no Estreito de Ormuz, colocam os sistemas sob pressão. Isso afeta diretamente a acessibilidade e a resiliência energética de países dependentes de importação.
O futuro da economia verde e as prioridades do setor
Para sustentar o progresso, o relatório identifica três prioridades: incorporar resiliência no design do sistema, acelerar a expansão da rede elétrica e restaurar a capacidade de investimento por meio de políticas públicas estáveis e fluxos de capital.
Segundo o levantamento, “Os países que agirem em todas as três frentes estarão mais bem posicionados para transformar as pressões de hoje em uma vantagem competitiva duradoura em um cenário global em mudança.”
O Brasil, ao manter sua trajetória de investimentos em fontes renováveis e infraestrutura, coloca-se como um exemplo para outras nações emergentes. O foco agora deve ser transformar essa liderança em benefícios econômicos reais para a população.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







