A oficialização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que entra em vigor neste mês, marca o início de uma nova fase para o comércio internacional brasileiro. O pacto traz otimismo para diversos setores, embora especialistas apontem que a mudança exigirá uma rápida adaptação das empresas locais frente à nova dinâmica de preços e concorrência externa.

A negociação, que envolve perdas e ganhos estratégicos, é vista como um movimento necessário para a modernização da indústria brasileira. Segundo Rodrigo Cezar, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o saldo final depende de como o país aproveitará o acesso ampliado a um mercado de 700 milhões de pessoas, conforme divulgado pelo Estadão.

O impacto será sentido de formas variadas, com a agropecuária e a mineração despontando como protagonistas nas exportações. Por outro lado, a indústria de transformação terá o desafio de equilibrar a importação de insumos mais baratos com a chegada de produtos europeus que prometem elevar a competitividade interna.

O cenário para a indústria e o agronegócio

O setor de agroindústria é apontado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) como um dos maiores beneficiados, com previsão de crescimento de 2% ao longo de 17 anos. Segmentos como o de carnes de aves e suínos devem registrar um salto expressivo de até 9,2% em seus volumes de negócios.

Já para o setor calçadista, a perspectiva é de expansão. Atualmente, o Brasil possui uma participação tímida no mercado europeu de sapatos, e a redução gradual das tarifas, que podem chegar a zero em sete anos, abre uma janela estratégica para que fabricantes brasileiros ganhem relevância no continente.

Desafios na balança comercial e a modernização

Apesar do otimismo, existe uma preocupação real com a balança comercial. A indústria de transformação registrou um déficit de 26 bilhões de dólares com a União Europeia no último ano. José Velloso, presidente da Abimaq, ressalta que o país precisa fazer a lição de casa para evitar o agravamento desse saldo negativo através da modernização tecnológica.

A necessidade de qualificação é um ponto central. Setores como o de eletroeletrônicos enfrentarão impactos mistos, mas contam com um cronograma de redução de tarifas mais favorável. Enquanto os produtos brasileiros ganharão isenção total na Europa em quatro anos, os itens europeus levarão até 15 anos para chegar ao Brasil com taxa zero, garantindo fôlego aos fabricantes.

Oportunidades em insumos e nichos específicos

Alguns produtos estratégicos terão isenção tarifária imediata já no primeiro ano. Essa lista foca em bens que não possuem produção nacional equivalente, como motores de aviões e medicamentos complexos destinados ao tratamento de doenças como o Alzheimer, beneficiando diretamente o consumidor e empresas como a Embraer.

A exigência de altos padrões de rastreabilidade, governança ambiental e trabalhista, típicos do mercado europeu, também servirá como um motor de transformação para as empresas brasileiras. A adaptação a essas normas é vista por especialistas como o caminho necessário para que o produto nacional se torne competitivo em um cenário globalizado e cada vez mais rigoroso.

A fonte original desta notícia é o [Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo](https://www.estadao.com.br/economia/quem-ganha-quem-perde-entrada-vigor-acordo-uniao-europeia-mercosul/).

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