Gestão financeira da usina binacional entra na mira da Justiça e abala o governo de Santiago Peña
A instabilidade política tomou conta do Paraguai após a revelação de um impasse financeiro envolvendo a Itaipu Binacional. O caso gerou um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña.
A administração paraguaia da usina busca recuperar cerca de US$ 182 milhões que estavam depositados no Ueno Bank. O processo levanta dúvidas sobre a gestão dos repasses bilionários feitos pelo Brasil.
A situação escalou rapidamente no Congresso paraguaio, unindo preocupações econômicas e pressões políticas severas, conforme divulgado pelo Estadão.
Ação judicial para recuperar fundos
A administração paraguaia da Itaipu Binacional informou que iniciou medidas legais perante o Ministério Público para recuperar recursos no Ueno Bank, conforme comunicado oficial divulgado recentemente.
A hidrelétrica pretende esgotar todas as possibilidades administrativas para reaver o montante. Até o momento, não foi estabelecido um prazo para a devolução ou quanto exatamente a empresa espera recuperar.
Segundo o comunicado, a Itaipu mantinha cerca de US$ 182 milhões no Ueno Bank em novembro. Desse total, US$ 163,8 milhões estavam em dólares e o restante em guaranis, a moeda local paraguaia.
Divisão entre Brasil e Paraguai
Os depósitos representavam 7,6% dos mais de US$ 2,4 bilhões recebidos pelo Paraguai em repasses do Brasil entre 2024 e 2026. A situação envolve especificamente a gestão da margem paraguaia da usina.
Em nota oficial, a administração brasileira esclareceu que não possui recursos sob sua gestão depositados ou aplicados no Ueno Bank, ressaltando que cada lado da binacional possui competências próprias.
A margem paraguaia afirmou que mantém recursos apenas em instituições com alta classificação de risco, como AAApy ou AAapy, e que sua gestão financeira gerou rendimentos superiores a US$ 450 milhões recentemente.
Impacto no fornecimento de energia
Apesar da crise financeira e política, a Itaipu garantiu que a situação não afeta o desenvolvimento normal das atividades da empresa, mantendo o cronograma de obrigações e compromissos contratuais.
A administração brasileira também confirmou que a operação da usina continua operando normalmente. Não há qualquer previsão de impacto na produção ou no fornecimento de energia elétrica para ambos os países.
A empresa destacou que acompanha os procedimentos do Banco Central do Paraguai para garantir a segurança dos ativos e a continuidade da prestação de serviços essenciais para a população e para a indústria.
O cenário político e o impeachment
O reflexo dessa crise financeira atingiu em cheio o governo de Santiago Peña. Senadores paraguaios não aceitaram o pedido de renúncia do presidente, optando por um caminho de maior desgaste político.
A Câmara aprovou a abertura de um processo de afastamento, o que coloca o futuro político do país em um cenário de incertezas, enquanto as investigações sobre os depósitos no Ueno Bank continuam avançando.
A situação é monitorada de perto por observadores internacionais, já que a estabilidade do Paraguai é estratégica para os acordos de energia e comércio na região do Mercosul, especialmente com o Brasil.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo






