A crise financeira que abalou o Paraguai e resultou na queda do presidente Santiago Peña ganha novos capítulos com o processo de ressarcimento. Milhares de cidadãos tentam recuperar suas economias.
O Banco Central do Paraguai (BCP) informou que o Ueno Bank já devolveu valores para mais de 1 milhão de clientes, totalizando cifras bilionárias em guaranis para tentar conter a revolta popular.
A situação gera incerteza tanto para paraguaios quanto para brasileiros que residem no país vizinho, conforme divulgado pelo Estadão.
A situação atual da devolução de recursos no Ueno Bank
O Banco Central do Paraguai anunciou que 1,2 milhão de contas de clientes do Ueno Bank já foram ressarcidas. O valor total pago até o momento soma aproximadamente 995 bilhões de guaranis.
Essa quantia equivale a mais de R$ 850 milhões. Os dados foram apresentados por Pedro Acosta, presidente do BCP, e José Maciel, que lidera o Fundo de Garantia de Depósitos no país vizinho.
A estimativa inicial de 3 milhões de contas foi revisada para 1,87 milhão de depositantes com saldo. Isso indica que cerca de 60% das pessoas afetadas já conseguiram recuperar parte do seu dinheiro.
Regras e fases para o recebimento dos valores
O processo de pagamento do Ueno Bank ocorre em etapas. Na primeira fase, foram atendidos clientes com até 10 milhões de guaranis, cerca de R$ 8,8 mil, que possuíam contas em outras instituições.
A segunda etapa foca em saldos de até 121,7 milhões de guaranis, cerca de R$ 107 mil. Para receber, o cliente não pode ter dívidas pendentes com o banco liquidado e deve ter conta ativa no sistema.
Apesar do anúncio oficial, muitos paraguaios utilizam as redes sociais para denunciar atrasos. Muitos afirmam que, mesmo pertencendo ao primeiro grupo de prioridade, ainda não receberam os valores devidos.
Denúncias de fraude e colapso institucional
O Ueno Bank sofreu intervenção e liquidação após a descoberta de graves suspeitas de fraude contábil. O caso gerou uma onda de protestos e deixou milhões de cidadãos sem acesso aos próprios recursos.
Investigações apontam empréstimos irregulares entre empresas ligadas ao grupo, sem garantias. Além disso, houve um aumento de 4.600% em depósitos do governo paraguaio na instituição antes da quebra.
Especialistas sugerem que a falta de fiscalização permitiu o crescimento das irregularidades. O escândalo atingiu o topo do poder, já que o presidente Santiago Peña foi sócio do grupo controlador do banco.
Impacto na política e na comunidade brasileira
A crise financeira provocou a renúncia de Santiago Peña e de Carlos Carvallo, chefe do Banco Central. O processo de impeachment do presidente foi aprovado pela Câmara em meio ao caos econômico.
O colapso do Ueno Bank também afeta diretamente os cerca de 263 mil brasileiros que vivem no Paraguai. Muitos se mudaram para o país em busca de benefícios fiscais e agora enfrentam o bloqueio de bens.
Muitos desses imigrantes brasileiros foram atraídos pela política econômica de Peña. Agora, a incerteza domina o mercado financeiro local, enquanto as autoridades tentam finalizar as devoluções de saldo bancário.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







