O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou nesta quinta-feira que o governo federal está atento às demandas de estabilidade econômica. Em discurso voltado para investidores, ele reforçou a necessidade de manter as contas públicas sob controle.
De acordo com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a equipe econômica já prepara um conjunto de propostas. O objetivo é apresentar um plano sólido para garantir o cumprimento das metas orçamentárias nos próximos anos.
A definição sobre as novas medidas fiscais, no entanto, deve ocorrer somente após o retorno do presidente de compromissos internacionais no exterior, conforme divulgado pelo Estadão.
Lula defende a responsabilidade fiscal para atrair investimentos estrangeiros
Durante a primeira reunião do Conselho de Minerais Críticos, Lula destacou que a responsabilidade fiscal é essencial para atrair capital. Segundo ele, ninguém investirá em uma economia que seja considerada totalmente desordenada ou sem regras claras.
“Precisamos saber que, para a gente atrair, a gente vai ter que ter uma economia arrumada. As pessoas querem saber se nós estamos falando sério”, declarou o presidente, enfatizando que a segurança jurídica também é um pilar fundamental.
Lula afirmou ainda que os investidores precisam de garantias de que seus aportes gerarão retorno financeiro. Para ele, o governo não pode brincar de fazer parcerias, exigindo seriedade no trato com o dinheiro público e com as metas estabelecidas.
Pacote de medidas fiscais fica para depois da COP,31
O ministro em exercício da Fazenda, Dario Durigan, explicou que a recente reunião com economistas foi convergente em diagnósticos, mas evitou detalhes técnicos. Ele afirmou que ainda não é o momento de tratar de nenhuma medida específica sobre os gastos.
O cronograma oficial prevê que as propostas de ajuste sejam apresentadas ao presidente somente após o dia 16 de novembro. Esse prazo coincide com o retorno de Lula da Turquia, onde participará da COP,31, e de uma cúpula nas Filipinas.
A estratégia do governo inclui ouvir diversos setores da sociedade, investidores e o setor produtivo. A ideia é criar uma agenda generosa de diálogos para que o pacote fiscal tenha aceitação e eficácia no controle da dívida pública brasileira.
Pronunciamento em rede nacional e a relação com o mercado
Para tentar acalmar os ânimos do setor financeiro, Lula fará um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão neste domingo. O foco será a pacificação do país e a reafirmação do compromisso com as metas fiscais vigentes.
A preocupação central dos analistas é a dívida bruta do governo, que atingiu o patamar de 82,9% do PIB. O presidente deve explicar que é possível manter a responsabilidade com as contas e, ao mesmo tempo, cumprir as promessas sociais de sua campanha.
Neste pronunciamento, não são esperados anúncios de cortes concretos ou a nomeação de novos ministros. A intenção é conectar a estabilidade econômica com a sustentabilidade dos programas sociais, sinalizando também um desejo de redução na taxa Selic.
Estratégia para minerais críticos e fomento industrial
Além da pauta econômica, o governo divulgou uma lista de 27 minerais classificados como estratégicos para o país. Entre os itens de prioridade alta estão o Lítio, o Níquel e as Terras Raras, fundamentais para a transição energética global.
Esses minerais terão prioridade em medidas de fomento e acesso a crédito facilitado. O Conselho estabeleceu que apenas projetos inseridos no Cadastro Nacional poderão receber apoio governamental, como o uso do Fundo Garantidor da Atividade Mineral.
Essa divisão em classes de prioridade leva em conta riscos geopolíticos e a vulnerabilidade do Brasil no cenário externo. O setor mineral vê com otimismo o apoio, especialmente nas fases iniciais de pesquisa, que costumam enfrentar grandes desafios de financiamento.
A fonte original é o Estadão.







