A descoberta de petróleo na costa do Amapá está gerando uma onda de otimismo em Calçoene, cidade que abriga o Garimpo do Lourenço, a exploração de ouro mais antiga do país em atividade.
A expectativa é que a chegada de grandes empresas da cadeia produtiva de energia ajude a reduzir custos operacionais, melhore a infraestrutura local e atraia novos profissionais qualificados para a região.
Além de impulsionar a economia, a nova fronteira exploratória pode ajudar a regularizar problemas ambientais históricos que afetam o distrito, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto do petróleo na infraestrutura e economia do Garimpo do Lourenço
Localizado em Calçoene, o Garimpo do Lourenço opera desde 1890 e é a base da economia local. A produção de petróleo na Margem Equatorial pode transformar a logística da pequena mineração artesanal.
O prefeito Toinho Garimpeiro afirma que a cidade tem recebido equipes de logística para apresentar o potencial do município, que possui saída direta para o mar e condições favoráveis para um porto de apoio.
Francisco Nogueira da Silva, um dos líderes da região, acredita que a Petrobras fará do Amapá um dos estados mais ricos, beneficiando diretamente os arranjos produtivos das comunidades locais mineradoras.
Tradição centenária e a herança de Eike Batista
O Garimpo do Lourenço é gerido atualmente por uma cooperativa, a Coogal, que herdou a concessão federal pertencente à empresa Novo Astro, do empresário Eike Batista, até o ano de 1995.
Após a retirada de cerca de 20 toneladas de ouro, a mineradora deixou o local, permitindo que os garimpeiros se organizassem para explorar os estoques minerais através de métodos semiartesanais e subterrâneos.
Hoje, a cooperativa detém uma área de 10 mil hectares. O presidente da entidade, Orleni Ribeiro, espera que os royalties do petróleo sejam convertidos em gestão adequada e benefícios reais para quem está na ponta.
Conflitos ambientais e a fiscalização do Ibama
Apesar de ser uma atividade regularizada, o garimpo enfrenta embates constantes com o Ibama. Em 2025, sentenças judiciais fixaram indenizações milionárias por danos causados entre os anos de 2010 e 2017.
As infrações incluem o uso irregular de mercúrio e a destruição de áreas de floresta permanente. Os garimpeiros, no entanto, buscam no suporte do petróleo uma forma de financiar tecnologias mais limpas.
Pesquisadores da Unifap defendem que políticas públicas e recursos da Margem Equatorial podem ajudar a ordenar a atividade, garantindo que a extração de ouro ocorra de forma mais sustentável e segura.
Calçoene ganha força como polo logístico da Petrobras
Técnicos apontam que Calçoene possui vantagens sobre Oiapoque, como um calado mais profundo e menos restrições ambientais, o que facilita a instalação de uma infraestrutura portuária de grande porte.
A cidade está estrategicamente posicionada a cerca de 175 quilômetros dos pontos de perfuração. O plano audacioso de construir um porto-ilha na região promete revolucionar o transporte de insumos pesados.
Diferente de outras rotas, o acesso terrestre até Calçoene pela BR-156 é totalmente asfaltado, eliminando um dos maiores gargalos logísticos do estado e facilitando o escoamento da produção mineral e petrolífera.
O futuro da mineração e a retomada de grandes projetos
Além do ouro artesanal, o governo do Amapá incentiva a retomada de grandes projetos, como a exploração de minério de ferro e novas frentes de mineração de ouro em Pedra Branca do Amapari.
Empresas estrangeiras já iniciaram a reativação de minas que estavam paradas, gerando milhares de empregos e consolidando o estado como um protagonista no setor de extração mineral e de energia no Brasil.
Wandenberg Pitaluga Filho, da Agência de Desenvolvimento do Amapá, destaca que a movimentação estratégica visa ressuscitar a economia de municípios que dependem historicamente da riqueza do solo e do mar.
A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e você pode conferir a matéria completa através deste link: https://www.estadao.com.br/economia/petroleo-da-margem-equatorial-deve-fortalecer-ex-garimpo-de-eike-batista-na-amazonia/





