O Brasil vive hoje um momento de incerteza econômica, mas especialistas apontam que o país tem um ponto de partida favorável para realizar uma manobra conhecida como contração fiscal expansionista.
A ideia central é que um ajuste fiscal rigoroso e transparente, ao contrário do que muitos pensam, pode estimular o crescimento ao derrubar as taxas de juros e recuperar a confiança do setor privado.
Esse conceito ganhou força após experiências bem-sucedidas em outros países e agora é defendido como a saída para o cenário brasileiro atual, conforme divulgado pelo Estadão.
A estratégia para estabilizar a economia brasileira
O economista Bráulio Borges, pesquisador do FGV Ibre, argumenta que o segredo para o sucesso da economia está na redução do spread entre os títulos brasileiros e os papéis do Tesouro dos Estados Unidos.
Atualmente, essa diferença está em torno de 10 pontos percentuais, um valor considerado gigantesco. Segundo Borges, se o governo sinalizar uma política fiscal coerente, esse prêmio de risco pode cair drasticamente.
A história recente mostra que isso é possível. No final de 2019, o spread era de apenas 5 pontos, mas subiu após mudanças no teto de gastos e incertezas sobre o cumprimento de metas fiscais importantes.
O impacto da confiança nas taxas de juros
Entre 2023 e o início de 2024, o mercado financeiro deu um voto de confiança ao novo arcabouço fiscal, o que fez o spread recuar para a casa dos 6 a 7 pontos percentuais por algum tempo.
No entanto, a lua de mel acabou em abril de 2024. A decisão de adiar a meta de superávit primário e o uso de manobras contábeis foram vistos como sinais negativos, elevando novamente o custo do crédito no país.
Borges destaca que o juro alto é causa e consequência da má gestão das contas. Sem um plano crível, o governo acaba pagando muito mais para financiar sua dívida, gerando um ciclo vicioso de déficit.
O dilema entre ortodoxos e heterodoxos
O debate econômico no Brasil costuma dividir opiniões. Enquanto os heterodoxos culpam os juros altos pelo desequilíbrio, os ortodoxos afirmam que os juros só sobem porque a gestão fiscal é falha e insegura.
Para Bráulio Borges, as duas visões estão conectadas. Ele observa que a política fiscal tem sido pró-cíclica, ou seja, tem estimulado a economia em um momento em que ela já apresenta sinais de sobreaquecimento.
Essa falta de coordenação faz com que a inflação seja pressionada, obrigando o Banco Central a manter a Selic em patamares elevados para controlar o consumo e os preços no mercado interno.
O plano para um crescimento sustentável
A receita proposta para salvar a economia brasileira envolve o que o economista chama de freio de arrumação em 2027. O objetivo seria aceitar uma desaceleração momentânea para garantir um futuro próspero.
É o famoso passo atrás para dar dois à frente. O foco deve ser entregar um superávit primário real, sem contabilidade criativa, mirando uma meta de 1,5% do PIB até o ano de 2030, conforme planejado.
Com as contas em ordem e a política monetária coordenada, a taxa Selic teria espaço para cair de forma consistente. Isso permitiria que o Brasil voltasse a crescer de 2% a 2,5% ao ano com estabilidade total.
A fonte original desta notícia é o Estadão.







