Entre 1997 e 2007, uma enorme quantidade de brasileiros deixou o país em busca de novas oportunidades no exterior. Esse movimento representou uma das maiores saídas de cidadãos da nossa história recente.
Hoje, muitos desses emigrantes, que agora estão na faixa dos 40 ou 50 anos, iniciaram um movimento de retorno. Eles construíram carreiras sólidas, mas agora enfrentam novos desafios econômicos globais.
A percepção de especialistas aponta para um crescimento relevante nessa tendência, com um aumento de até 50% na procura por empregos no Brasil, conforme divulgado pelo Estadão.
Custo de vida elevado e barreiras profissionais motivam o retorno
Um dos principais motivos para a volta dos brasileiros é o custo de vida proibitivo em grandes metrópoles mundiais. A inflação global, impulsionada por conflitos e mudanças climáticas, mudou o cenário.
A jornalista Patrícia Matos, que vivia em Manhattan, relata que o valor de um estúdio saltou de US$ 2,9 mil para US$ 4,4 mil mensais. Ela conta que, agora, tudo precisa ter um preço considerado acessível.
“Se alguém vai combinar um jantar com amigos, a escolha é por um restaurante ‘affordable’ (com preço acessível). Comprar roupas? Carne? Só se for a um preço ‘affordable’”, explica a jornalista sobre sua rotina.
O teto invisível nas empresas estrangeiras
Além das questões financeiras, muitos executivos sentem que atingiram um limite na carreira fora do Brasil. Existe uma espécie de rivalidade velada que impede estrangeiros de subirem na hierarquia corporativa.
Matheus Marteli, que trabalhou em marcas de luxo como Prada e Gucci em Londres, sentiu esse atrito. Ele afirma que o poder de compra caiu tanto que não valia mais a pena ficar longe da família.
“O poder de compra lá é maior que o daqui. Mas caiu muito nos últimos anos, a ponto de não valer mais a pena ficar longe da família”, desabafa Matheus, que decidiu retornar ao Brasil no ano passado.
A busca por pertencimento e raízes familiares
O fator emocional pesa drasticamente na balança de quem mora fora há décadas. Com o envelhecimento dos pais, muitos sentem a necessidade urgente de estar próximos de suas raízes e familiares no Brasil.
A massoterapeuta Raquel Heloisa Cassado viveu na Austrália e recebia salários altos, mas sentia que faltava algo essencial. Um amigo aborígene a alertou sobre a sua falta de pertencimento e de raízes no local.
“Eu queria ficar mais perto da minha mãe, meu pai, minha família”, diz Raquel. Ela agora vive em Ubatuba e, embora ganhe menos, afirma que valoriza estar novamente entre o seu povo e seus amigos.
Medo da deportação e insegurança política
Para aqueles que realizam serviços mais simples, o motivo do retorno é o medo constante. O endurecimento das políticas de imigração nos Estados Unidos gerou uma onda de insegurança na comunidade brasileira.
Desde o início do governo Trump, milhares de brasileiros foram deportados. Eliane Garcez, da ONG Mulheres do Brasil NY, afirma que nunca viu tanta gente voltando por medo de perder tudo o que conquistou.
“Quem já fez algum dinheiro por aqui, está voltando com medo de perder tudo, de ser deportado à força”, conta Eliane, ressaltando que a desconfiança e o temor persistem mesmo com mudanças judiciais.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria completa através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






