A Companhia Siderúrgica Nacional, sob o comando de Benjamin Steinbruch, está avaliando novos caminhos para sua unidade de cimento. Diante de uma negociação que não avança, o IPO aparece como solução estratégica.
O impasse na venda ocorre, principalmente, devido aos pesados passivos da empresa, que dificultam um acordo com compradores interessados. Essa mudança de rota busca aliviar a pressão financeira sobre o grupo.
A estratégia ganha força com a expectativa de um cenário econômico mais favorável na Bolsa de Valores nos próximos anos. A possibilidade de oferta pública é uma aposta real, conforme divulgado pelo Estadão.
Por que o IPO da CSN Cimentos se tornou a opção preferencial?
A dificuldade em fechar uma proposta com os interessados na aquisição da CSN Cimentos está nos passivos jurídicos e operacionais da empresa. Essas contingências somam cerca de R$ 10 bilhões atualmente.
Por meio de um IPO, Benjamin Steinbruch evitaria a discussão direta dessas contingências com um único comprador. Isso permitiria manter a operação no grupo e expandir o negócio, conforme era o desejo original do empresário.
Anteriormente, Steinbruch tentou adquirir a InterCement, mas a empresa entrou em recuperação judicial. Agora, o foco volta para a B3 como forma de destravar o valor da unidade de cimento sem abrir mão do controle total.
Passivos bilionários e o entrave nas negociações
Fontes do mercado indicam que a venda direta da operação cimenteira está travada justamente pelo valor elevado das dívidas ocultas. Compradores como a chinesa Huaxin e a italiana Cimentir ainda seguem em conversas.
Entretanto, o modelo de capital aberto dilui os riscos e atrai investidores institucionais que buscam crescimento a longo prazo. Isso livra o controlador de dar garantias excessivas que seriam exigidas em uma venda privada comum.
A necessidade urgente de desalavancagem financeira
A CSN precisa levantar recursos para honrar um empréstimo de US$ 1,2 bilhão tomado com bancos em abril. Esse crédito vence em cinco anos, mas é considerado uma dívida cara que exige pagamentos constantes e garantias.
As ações da própria unidade de cimentos são parte das garantias dadas às instituições financeiras. Por isso, a venda ou o IPO da CSN Cimentos é uma condição essencial imposta pelos bancos para manter o fluxo de caixa.
Além disso, a CSN Mineração, outra joia do grupo, deve queimar caixa nos próximos anos com planos de expansão. Com o minério de ferro em baixa, a pressão sobre o balanço consolidado da siderúrgica só aumenta.
Alívio com ativos externos e cenário para 2026
Recentemente, a venda da operação na Alemanha por R$ 3,1 bilhões trouxe um fôlego momentâneo. Isso permitiu que a diretoria repensasse o prazo da venda de ativos, que já havia passado do cronograma inicial dado ao mercado.
A perspectiva de juros menores e uma reabertura do mercado de capitais a partir de 2026 animam os executivos. Steinbruch acredita que, em dois anos, o mercado estará mais receptivo para grandes ofertas públicas de ações.
A fonte original é a [Estadão] e o link para a matéria original está disponível em: https://www.estadao.com.br/economia/coluna-da-broad/com-venda-que-se-arrasta-oferta-de-acoes-pode-ser-opcao-para-a-csn-cimentos/







