A busca por entender o que torna um país rico sempre passou pela ideia de produtividade. No Brasil, especialistas frequentemente apontam a baixa eficiência nacional como a principal barreira para o crescimento econômico.
Entretanto, uma pesquisa recente realizada por economistas de instituições americanas indica que o segredo pode estar em algo mais profundo. O foco agora recai sobre a qualidade real do que chamamos de capital humano no mercado.
A nova análise sugere que a qualificação da mão de obra explica uma parcela muito maior da desigualdade de renda global do que se imaginava anteriormente, conforme divulgado pelo Estadão.
A revolução do capital humano no crescimento econômico
Durante décadas, acreditou-se que insumos como máquinas e horas trabalhadas explicavam apenas um terço da riqueza de uma nação. O restante da diferença de renda era jogado na conta genérica da produtividade total.
Os economistas David Lagakos e Todd Schoellman revisitaram esses dados com informações de duas décadas. Eles descobriram que, quando se mede o capital humano com precisão, ele se torna o fator determinante do sucesso.
O estudo aponta que o capital físico, como prédios e infraestrutura, costuma acompanhar a riqueza e não necessariamente gerá-la. Países ricos investem mais justamente porque possuem trabalhadores altamente qualificados.
A falha na contabilidade tradicional do desenvolvimento
Antigamente, media-se o capital humano apenas pelos anos de estudo. Porém, os autores notaram que os alunos em países pobres aprendem muito menos do que os estudantes em países desenvolvidos nos mesmos anos.
Ao ajustar a conta para incluir a qualidade da educação, a importância do conhecimento na renda saltou para 36%. Esse dado mostra que estar na escola não é o mesmo que adquirir habilidades competitivas globais.
Outro fator crucial ignorado era o aprendizado ao longo da carreira. Em nações ricas, os salários costumam dobrar com a experiência, enquanto em países em desenvolvimento, o aumento médio é de apenas cerca de 50%.
O aprendizado contínuo e a saúde do trabalhador
Ao somar a qualidade do ensino, o aprendizado no ambiente de trabalho e as condições de saúde, o capital humano passou a explicar 66% da diferença de renda entre os países, mudando o foco das políticas públicas.
Para validar essa tese, os pesquisadores analisaram o caso de imigrantes nos Estados Unidos. Ao mudarem de país, eles triplicam seus salários, mas o diferencial de renda para os americanos nativos ainda é imenso.
Isso prova que dois terços da riqueza de um trabalhador estão atrelados às suas habilidades pessoais acumuladas. A infraestrutura do país de destino ajuda, mas não substitui o valor do conhecimento individual.
O que o Brasil precisa aprender com esses dados
Para a realidade brasileira, a mensagem é clara e urgente. O debate sobre produtividade costuma focar apenas em tributação e infraestrutura, mas a qualidade da educação é a peça central que falta no quebra-cabeça.
O país conseguiu universalizar o acesso ao ensino, mas o desempenho em testes internacionais como o Pisa continua muito baixo. Sem melhorar o aprendizado real, o Brasil terá dificuldades em aumentar sua renda per capita.
Além da escola, é preciso fomentar o aprendizado no ambiente de trabalho. Essa combinação é o que realmente define se uma nação conseguirá prosperar ou se continuará presa em um ciclo de baixo crescimento econômico.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | Capital humano é ainda mais importante do que se pensava.







