O cenário urbano de São Paulo está passando por uma transformação silenciosa, mas extremamente valiosa. Antigas residências em bairros como Itaim Bibi e Jardins estão sendo substituídas por projetos de luxo.
Essas novas construções priorizam a exclusividade, oferecendo poucas unidades com preços que ultrapassam facilmente a casa dos milhões. O foco agora é oferecer uma experiência de casa em prédios modernos.
Incorporadoras estão investindo pesado em terrenos pequenos e áreas antes ignoradas para criar refúgios urbanos sofisticados em áreas nobres, conforme divulgado pelo Estadão.
O novo mapa dos apartamentos de luxo em São Paulo
O empresário Francisco Boni, da incorporadora Unacorp, adquiriu 15 casas próximas à Avenida Faria Lima. O objetivo é formar terrenos para o Lurie Itaim, prédio com unidades de mais de R$ 7 milhões.
A torre terá apenas oito andares e ocupará o coração do Itaim Bibi, bairro com o metro quadrado mais caro da capital. O projeto prevê spa, piscina e apartamentos de 226 metros quadrados.
Boni explica que as regras de zoneamento permitiam apenas prédios baixos em terrenos de mil metros. “A gente transformou esse obstáculo numa oportunidade, lapidando essa joia bruta”, afirma o executivo.
Aposta na exclusividade e no verde urbano
Além do prédio, a Unacorp planeja criar um parque linear e um boulevard arborizado na rua do empreendimento. A ideia é alargar as calçadas e criar faixas de vegetação para os pedestres.
Para garantir que o público sinta a transformação, um dos terrenos será transformado em praça temporária. O investimento total para o desenvolvimento dos três terrenos é de cerca de R$ 75 milhões.
Segundo o arquiteto Fernando Forte, do escritório FGMF, desenvolver poucas unidades faz sentido comercial. “A área privativa maior aproxima a experiência de morar em uma casa”, destaca o especialista.
Prédios altos e clubes privados no Jardim Guedala
Enquanto uns apostam em prédios baixos, a Trisul lançou o Atílio 870, edifício de 38 pavimentos próximo à Faria Lima. Com um apartamento por andar, as unidades podem custar até R$ 13 milhões.
Já no Jardim Guedala, a Meta Incorporadora criou o The Club. O projeto exigiu a negociação com 30 famílias para formar uma área de 3,5 mil metros quadrados que terá 77 apartamentos e um clube privado.
O diferencial será o clube urbano, com quadras de tênis, padel e restaurantes. “O clube vai concentrar as atrações de grande porte”, explica Alexandre Souza Lima, CEO da Meta Incorporadora.
O ajuste do mercado imobiliário de alto padrão
Apesar do luxo, o setor registrou queda de 39% nas vendas no primeiro semestre. Especialistas apontam que o segmento atingiu um topo em 2025 e agora passa por uma fase de correção natural.
O tempo médio de venda de um imóvel de luxo hoje é de 18 meses. Em comparação, imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida levam cerca de sete meses para serem negociados na capital paulista.
Ely Wertheim, do Secovi-SP, afirma que não há crise. “Os compradores desse perfil foram atendidos e a demanda se esgotou temporariamente. As incorporadoras apenas ajustaram o volume de novos lançamentos”.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







