Entre 1º de março e 3 de abril, 221 embarcações transportando petróleo, gás ou outros produtos atravessaram o Estreito de Ormuz, maioria a caminho ou saída do Irã, segundo análise divulgada pela AFP.

Mesmo com a reabertura parcial do estreito, executivos e analistas alertam que a indústria não poderá mais contar com ele como antes, indicando que o fluxo marítimo não retornará ao padrão pré‑guerra.

Países da região já investem em rotas alternativas, enquanto importadores de energia buscam diversificar fontes, adotando medidas de conservação e até considerando carvão, energia solar e nuclear, conforme relatório do Estadão.

Impactos imediatos na cadeia de suprimentos de energia

Com o estreito ainda vulnerável, governos do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, redirecionaram petróleo para portos distantes via oleodutos já existentes. O Iraque também enviou pequenas quantidades de petróleo para a Turquia por um oleoduto histórico.

Redução drástica do volume diário

A Agência Internacional de Energia (AIE) aponta que mais de 7 milhões de barris de petróleo são transportados fora do Golfo diariamente por essas rotas alternativas, um aumento significativo em relação aos menos de 4 milhões antes da guerra, mas ainda distante dos 20 milhões de barris que cruzavam o estreito diariamente.

Desafios logísticos além do petróleo

Oleodutos não solucionam a demanda de países sem costa marítima, como Kuwait e Catar, nem atendem ao transporte de alumínio, fertilizantes e outras commodities, reforçando a importância estratégica do estreito para a economia global.

Perspectivas geopolíticas e econômicas

Especialistas como Elliott Abrams afirmam que o Estreito de Ormuz terá “menos importância em 2030 ou 2035”, enquanto investidores buscam alternativas para reduzir a dependência de rotas vulneráveis. O preço do petróleo recuou 9% após declarações do Irã sobre a “abertura completa” do estreito, mas a situação mudou rapidamente com intervenções dos EUA.

Investimentos em infraestrutura e seu custo

Projetos de novos oleodutos, expansão de capacidades de armazenamento e construção de portos custariam bilhões de dólares. No entanto, analistas ressaltam que meses de interrupção já compensam esses investimentos, tornando a resiliência uma prioridade, ainda que isso eleve os preços para consumidores finais.

O futuro do Estreito de Ormuz permanece incerto, e a necessidade de diversificar rotas e fontes energéticas deve acelerar a transição para alternativas mais seguras e sustentáveis.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Por que a isenção de IR não está trazendo intenções de voto para Lula no Nordeste

Por que a isenção de IR não está trazendo intenções de voto para Lula no Nordeste

Dito e feito. Para decepção do governo, tudo indica que a demagógica…
Fiscal terá gatilho para cortar gastos quando dívida/PIB atingir certo nível, diz Flávio Bolsonaro

Michelle Bolsonaro no Senado e plano de Flávio para a dívida: veja o que muda na economia!

Candidatura da ex-primeira-dama é oficializada enquanto Flávio Bolsonaro detalha medidas fiscais rígidas e uso de inteligência artificial.
Defasagem do preço do diesel nas refinarias da Petrobras ultrapassa R$ 3 por litro

Defasagem nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras atinge R$ 3,05 por litro e aumenta risco de desabastecimento no Brasil

Entenda o que está provocando a diferença de custos entre os combustíveis no mercado interno e as consequências para importadores e consumidores
China: vendas no varejo caem pela primeira vez em 4 anos

Alerta na China: vendas do varejo caem pela 1ª vez desde 2022; veja o que mudou na economia!

Queda nas vendas do comércio varejista chinês reflete consumo fraco e desafios climáticos no país.