O avanço tecnológico está prestes a transformar radicalmente a segurança digital no Brasil. A chegada da computação quântica surge como um desafio sem precedentes para a proteção do sistema financeiro nacional.
Instituições gigantes como Bradesco e Itaú já iniciaram testes rigorosos e projetos de defesa para proteger dados sensíveis e transações financeiras de ataques que podem surgir no futuro próximo.
O Banco Central também monitora a situação de perto para criar normas de segurança robustas que antecipem esses riscos tecnológicos, conforme divulgado pelo Estadão.
A ameaça da computação quântica ao sistema financeiro nacional
Diferente das máquinas tradicionais, a computação quântica utiliza o qubit como unidade básica. Isso permite que os computadores processem informações em estados de superposição, alcançando uma velocidade extraordinária.
Para o setor bancário, essa capacidade de processamento representa um risco real para a criptografia atual. Sistemas que protegem o Pix, cartões e identidades digitais poderiam ser quebrados em questões de segundos.
Segundo Marco Zanini, CEO da Dinamo Cyber Security, um ataque que levaria centenas de anos para ser realizado por um computador convencional poderia, com uma máquina quântica avançada, ocorrer em uma escala de minutos.
Bancos brasileiros saem na frente com novos algoritmos
O Bradesco iniciou em 2023 o programa QSAFE, que já realiza testes com algoritmos pós-quânticos. O objetivo é criar uma camada de proteção híbrida, unindo a segurança clássica com as novas defesas tecnológicas.
Já o Itaú investe em pesquisas por meio do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú, o ICTi. O foco da instituição é garantir a agilidade criptográfica, que é a capacidade de adaptar defesas rapidamente conforme surgem novas ameaças.
A IBM alerta que as instituições financeiras operam com redes complexas de dados e protocolos antigos. O desafio imediato é identificar quais desses sistemas estão mais vulneráveis à evolução da computação quântica.
O desafio da criptografia pós-quântica
A chamada criptografia pós-quântica (PQC) reúne algoritmos desenvolvidos para resistir a máquinas potentes. No entanto, essa transição não é simples e exige mudanças profundas na infraestrutura digital dos bancos.
Zanini ressalta que novos algoritmos podem ser até 60 vezes mais lentos que os convencionais. Isso exige que as instituições definam prioridades, protegendo primeiro os dados que precisam permanecer seguros por décadas.
Contratos de financiamento imobiliário, por exemplo, exigem uma proteção de longo prazo muito maior do que uma transação instantânea. A migração gradual é essencial para não comprometer a velocidade dos serviços bancários.
Regulação e o futuro do sistema financeiro
O Banco Central já colocou o tema em seu radar regulatório. Antonio Marcos Guimarães, do BC, afirmou que a autoridade quer construir um arcabouço para riscos que ainda não se materializaram comercialmente no setor.
Essa postura proativa busca evitar que a infraestrutura financeira do país fique exposta. A preparação exige anos de trabalho técnico para que a transição para a era da computação quântica seja segura para todos.
A estratégia brasileira segue uma tendência global de segurança cibernética. Antecipar-se ao risco quântico é, atualmente, a única forma de garantir a integridade de ativos digitais e a confiança dos clientes no sistema.
A fonte original desta notícia é o Estadão.





