O mercado de delivery no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo de tensão jurídica. O iFood, atual líder do setor, decidiu levar uma denúncia pesada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
A acusação foca na Keeta, plataforma controlada pela gigante chinesa Meituan. Segundo a empresa brasileira, a concorrente utiliza práticas predatórias para conquistar espaço de forma artificial.
O embate levanta questões sobre o futuro da concorrência e a sustentabilidade dos negócios para restaurantes e entregadores, conforme divulgado pelo Estadão.
iFood denuncia práticas predatórias da Keeta ao Cade
O iFood alega que a Keeta opera com lucro negativo por pedido no Brasil. A empresa afirma que a matriz chinesa subsidia as operações para eliminar rivais e criar uma falsa sensação de crescimento.
Para o iFood, a representação não é uma disputa de narrativa entre concorrentes, mas resposta a um risco sistêmico para o ecossistema de delivery, envolvendo restaurantes e entregadores.
A empresa sustenta que o modelo de subsídios agressivos gera um crescimento que não se sustenta no tempo. O objetivo seria sufocar outros players antes que o mercado perceba os danos causados ao setor.
Subsídios e o risco para a tecnologia nacional
“É uma pena que tenhamos que desviar recursos que poderiam ser empregados para o setor evoluir, para fazer frente a uma guerra de subsídios”, afirmou o vice-presidente jurídico do iFood, Lucas Pittioni.
A representação pede ao Cade a abertura de um processo administrativo formal e a adoção de medidas preventivas. O iFood quer a cessação imediata da precificação abaixo do custo pela plataforma chinesa.
Além disso, a brasileira sugere um monitoramento independente dos dados de custos da Keeta. A urgência se deve ao padrão visto em outros países, onde a saída de concorrentes ocorreu em poucos meses.
Precedentes internacionais e regulação
A empresa sustenta que autoridades de países como Dubai, Kuwait e Arábia Saudita já agiram preventivamente. O Brasil seria o único grande mercado de delivery sem uma resposta regulatória equivalente.
De acordo com Pittioni, o Cade tem a base legal e o diagnóstico para intervir imediatamente. A janela de intervenção seria estreita, exigindo rapidez para evitar que o dano ao mercado se consolide.
A Keeta lançou suas operações no país há pouco tempo, iniciando pilotos no litoral paulista. O modelo de negócios da chinesa agora está sob a lupa das autoridades brasileiras de defesa da concorrência.
A resposta da Keeta e o foco na concorrência
Procurada, a Keeta afirmou que a ação é uma clara estratégia monopolista. Para a empresa, o iFood tenta desviar a atenção das investigações que sofreu por descumprir acordos de exclusividade.
A plataforma chinesa afirma que o iFood detém o monopólio e parece ter medo da livre concorrência. Eles defendem que o uso de cupons é uma prática comum utilizada por todos os players do mercado.
A Keeta reforça que seu foco é conquistar consumidores pela qualidade e confiabilidade. A empresa se diz disposta a colaborar com as autoridades para construir um mercado aberto e justo no Brasil.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







