O avanço da inteligência artificial está transformando empresas no mundo todo, mas muitos líderes ainda lutam para ver o retorno financeiro real desses investimentos bilionários.

Durante um fórum recente em São Paulo, especialistas debateram os motivos pelos quais a maioria das organizações ainda não conseguiu converter a tecnologia em lucros expressivos.

O desafio atual não é mais a ferramenta em si, mas como adaptar a cultura e os processos internos para essa nova realidade, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio de extrair valor real da inteligência artificial

Atualmente, 56% dos CEOs globais afirmam que suas iniciativas de inteligência artificial ainda não geram resultados concretos em seus negócios, segundo dados recentes da McKinsey.

Apenas uma pequena parcela de 6% das empresas relata um crescimento superior a 5% em seus lucros atribuídos diretamente ao uso dessas novas ferramentas tecnológicas avançadas.

Heloisa Callegaro, da McKinsey, explica que o foco mudou da discussão sobre o potencial para a busca por impacto real nas operações e nos resultados financeiros das companhias.

Mudança organizacional acima da tecnologia

Para Alessandro Rosa, a tecnologia deixou de ser o fator limitante nas transformações digitais, pois os modelos evoluem de forma impressionante e novas soluções surgem mensalmente.

O verdadeiro obstáculo agora é transformar esse progresso em produtividade e crescimento sustentável, integrando a inteligência artificial ao núcleo da estratégia de cada negócio.

“Ouço sempre dos executivos que eles veem IA em toda parte, menos no bottom line”, afirmou Johannes-Tobias Lorenz, destacando a frustração com a falta de impacto no lucro líquido.

Uma nova lógica para o sucesso corporativo

A abordagem sugerida envolve reimaginar o negócio em seis pilares essenciais: estratégia, talento, modelo operacional, tecnologia de ponta, gestão de dados e escala de adoção.

Especialistas alertam que a vantagem competitiva não virá de modelos prontos, mas sim dos dados proprietários e da eficiência dos fluxos de trabalho internos de cada organização.

Yran Dias ressalta que muitos líderes precisam aprender a desaprender, abandonando a automação tradicional para entrar de vez na era da chamada inteligência artificial agêntica.

A visão dos grandes líderes do mercado

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, destacou que a inteligência artificial é central na estratégia do banco, pois o comportamento do cliente e a entrega de valor mudaram.

O banco optou por construir bases sólidas antes de realizar experimentos em larga escala, garantindo que a transição ocorresse com a segurança e a velocidade necessárias para o setor.

Salim Ismail reforça que parte da dificuldade reside nos limites humanos, já que nossa capacidade de absorver transformações exponenciais ainda é considerada muito baixa pela ciência.

A fonte original desta notícia é o Estadão.

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