O mercado financeiro brasileiro atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda, que afeta diretamente o destino de grandes empresas. Aqueles que antes dominavam as negociações estão agora em recuo.
A dificuldade em sair de investimentos antigos e a pressão dos custos de capital criaram um gargalo para os fundos que compram participações. O cenário atual exige novas estratégias de sobrevivência.
Com a bolsa de valores praticamente fechada para novas estreias, o modelo tradicional de lucro rápido parece ter ficado no passado recente, conforme divulgado pelo Estadão.
A queda drástica do private equity nas transações nacionais
A participação dos fundos de private equity em operações de fusões e aquisições registrou uma queda acentuada nos últimos anos. Em 2019, esses fundos representavam cerca de 27,3% dos negócios.
Dados do Grupo Seneca mostram que essa fatia despencou para 12,8% no ano passado e atingiu apenas 5,2% em 2026. O levantamento reflete o desgaste provocado pela interrupção nas aberturas de capital em bolsa.
O impacto dos juros altos e o fim dos IPOs
Segundo Daniel Wainstein, co-CEO do Grupo Seneca, o modelo desses fundos é calcado em alavancagem do investimento, o que está inviabilizado no Brasil pelo juro excessivamente elevado no momento.
Além da pressão financeira, a porta de saída dos investimentos, que é a bolsa, está fechada há cinco anos para ofertas iniciais de ações, os chamados IPOs, impedindo a venda de fatias das empresas.
Wainstein nota que não houve oportunidade para listagens e ainda ocorreu uma depreciação gigante no preço das ações. Sem janelas de saída, não existe estímulo para que novos aportes sejam realizados agora.
A ascensão dos investidores estratégicos globais
Em contrapartida, a participação dos investidores estratégicos aumentou de 87,2% para 94,8% este ano. O nível de interesse vem de estrangeiros da China, Japão e também de investidores do Oriente Médio.
Muitos fundos que chegaram ao país em 2010 estão revendo operações. A Carlyle deixou de operar por aqui, o fundo canadense CPPIB encolheu e o Pátria foca agora em vender ativos ou diversificar sua atuação.
A fonte original desta notícia é o Estadão.





