Entenda o impacto do projeto aprovado na Câmara sobre a venda de milhas

O projeto que autoriza a venda de milhas e pontos de fidelidade por dinheiro vivo, aprovado na Câmara em agosto, acendeu um alerta vermelho no setor de aviação brasileiro.

O texto exige que as companhias contratem um operador independente que atenda a critérios muito restritos, como ter pelo menos sete anos de atividade e saúde financeira comprovada.

A medida tem sido criticada por especialistas, que veem uma possível reserva de mercado para apenas uma empresa que cumpre todas as regras, conforme divulgado pelo Estadão.

Apenas uma empresa atende aos novos critérios

Segundo analistas do setor, a FlyBy Viagens seria a única grande operadora a cumprir integralmente as exigências do projeto aprovado na Câmara, o que gera o temor de um monopólio.

Fundada em 2017, a empresa foca em passagens de classe executiva e primeira classe. Ela contrasta com concorrentes que enfrentam recuperações judiciais, critério proibitivo no novo texto.

Com a nova lei, as aéreas seriam obrigadas a usar esse intermediário. Caso contrário, o consumidor teria liberdade total para negociar seus pontos em qualquer plataforma disponível no mercado.

Críticas do setor e risco aos programas de fidelidade

Um manifesto assinado por 31 organizações, incluindo a Abear e a Abemf, afirma que o projeto cria barreiras e ameaça a continuidade dos programas que hoje possuem 330 milhões de contas.

As entidades argumentam que milhas são benefícios promocionais e não moeda. “A proposta desconfigura o próprio conceito de fidelização e facilita a atuação de grupos irregulares”, diz a nota oficial.

Além disso, o setor teme que a restrição ao uso de biometria facial, prevista no texto, aumente o risco de fraudes e golpes contra os consumidores que acumulam pontos no varejo e em viagens.

A defesa do consumidor e a liquidez dos pontos

O deputado Ricardo Ayres, autor da proposta, defende que os pontos pertencem ao cliente. Para ele, se uma empresa pode vender milhas, o consumidor deve ter o direito de monetizar esse ativo.

“Se uma empresa pode vender pontos ao consumidor e obter receita, precisa oferecer uma possibilidade efetiva de liquidez”, afirmou o parlamentar ao rebater as críticas de reserva de mercado.

O projeto agora aguarda votação no Senado. Se aprovado, marcas como Smiles, Latam Pass e Azul Fidelidade precisarão adaptar drasticamente seus modelos de negócio para manter a viabilidade econômica.

A fonte original é o Estadão.

You May Also Like
União Europeia fecha acordo para elevar tarifa do aço a 50% e reduzir cotas de importação

União Europeia aprova tarifa do aço de 50% e corta quase 50% das cotas de importação para proteger indústria siderúrgica

Acordo político eleva a tarifa sobre aço e reduz volumes isentos, impactando o comércio global
Consultoria Galeazzi vê risco de piora no quadro das empresas

Crise à vista? Especialista alerta para risco de quebra na construção e varejo; entenda o motivo!

Consultoria Galeazzi aponta juros altos, Bets e restrição de crédito como fatores de risco para grandes setores brasileiros.
Apartamentos de até 34 m² já são maioria entre os lançamentos em São Paulo; entenda

Apartamentos de até 34m² dominam São Paulo: por que os imóveis compactos viraram febre na capital?

Lançamentos de unidades pequenas já representam quase 80% do mercado paulistano, impulsionados por novos hábitos.
BRB pede aporte de até R$ 8,86 bilhões após perdas com o Banco Master

Quadra Capital: quem é a gestora que comprou R$ 15 bilhões em ativos do Master para salvar o BRB

Entenda o modelo de negócios da Quadra Capital, sua atuação em ativos de risco jurídico e a estratégia por trás da compra de R$ 15 bilhões em ativos do Master