O cenário econômico brasileiro está desenhando o que especialistas chamam de tempestade perfeita, colocando em xeque a sobrevivência de grandes companhias nacionais.
Com a manutenção de juros elevados e uma restrição severa ao crédito, setores fundamentais como o varejo e a construção civil começam a apresentar sinais graves de desgaste.
A consultoria Galeazzi & Associados, conhecida por salvar gigantes em crise, aponta que o fôlego das empresas está no limite, conforme divulgado pelo Estadão.
Riscos aumentam para construção civil e varejo
A situação financeira das empresas brasileiras pode se deteriorar rapidamente nos próximos meses. O ambiente combina juros que caem lentamente com um consumidor cada vez mais endividado.
Segundo Claudio Santos, diretor da Galeazzi, setores onde o cliente pode adiar a compra, como eletroeletrônicos e material de construção, estão sob pressão máxima atualmente.
“Setores em que o consumidor consegue adiar a decisão de compra, como eletroeletrônico, material de construção e construção civil, estão sob pressão”, afirma o executivo da consultoria.
Bancos estão cautelosos com crédito
A cautela das instituições financeiras é um dos maiores obstáculos. Com a inadimplência em patamares elevados, os bancos tornaram-se muito mais criteriosos para liberar novos recursos.
Dados recentes mostram que a inadimplência no agronegócio da Caixa saltou de 7,6% para 20,7% em um ano. No Banco do Brasil, o atraso no cartão de crédito atingiu a marca de 15%.
Para a Galeazzi, é vital que o governo considere medidas de apoio, pois nenhuma empresa suporta três anos seguidos de juros altos sem comprometer sua estrutura de capital.
O impacto das Bets e do e-commerce
Além do endividamento tradicional, novos fatores como o mercado de apostas online, as Bets, estão corroendo a renda das famílias e desviando o consumo de bens duráveis.
Somado a isso, o varejo físico enfrenta a concorrência agressiva de gigantes globais como Mercado Livre, Amazon e Shopee, que possuem estruturas de custos e logística otimizadas.
Muitas empresas que se endividaram em períodos de juros baixos agora lutam para pagar dívidas em dois dígitos, enfrentando um mercado consumidor muito mais desafiador e volátil.
A demora em buscar ajuda profissional
A consultoria observa que muitas empresas, especialmente as familiares, demoram muito para aceitar a necessidade de uma reestruturação profunda em seus modelos de negócio.
Ronei Machado, sócio da Galeazzi, destaca que há resistência em fechar lojas deficitárias ou queimar estoques parados por questões de imagem ou de apego ao tamanho da marca.
“Há ainda o conceito de ter a loja para marcar território, outros querem ter loja grande para dar visibilidade. Hoje não dá para ter esse luxo”, alerta o especialista sobre o mercado.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







