O Grupo Gennius, responsável por marcas famosas como Habib’s e Ragazzo, surpreendeu o mercado ao oficializar seu pedido de recuperação judicial. A medida foi aceita pela Justiça e marca um novo capítulo na trajetória da gigante do setor de alimentação rápida no país.
Com dívidas que somam cerca de R$ 265,2 milhões, a empresa busca fôlego financeiro para reorganizar suas contas e garantir a continuidade do atendimento. Apesar do cenário desafiador, a rede informou que todas as unidades continuam operando normalmente, sem interrupções imediatas.
A decisão judicial visa proteger a companhia de execuções de dívidas enquanto um plano de reestruturação é elaborado e apresentado aos credores. A situação reflete mudanças profundas no setor, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios financeiros e a recuperação judicial do Habib’s
O pedido de recuperação judicial foi aceito pelo juiz Jomar Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais. Segundo o grupo, a medida é “parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo”.
A crise enfrentada pelo grupo tem raízes nos impactos severos da pandemia entre os anos de 2020 e 2022. Além disso, a rápida disseminação de plataformas de marketplace mudou os hábitos de consumo, exigindo adaptações que pesaram no caixa da empresa, que já lidava com altos custos operacionais.
Outro fator determinante foi o endividamento bancário, que ultrapassa a marca de R$ 300 milhões. Esse montante passou a comprometer uma parte vital do fluxo de caixa, dificultando a manutenção das atividades diárias e forçando a busca por proteção jurídica contra os credores.
O que acontece com as lojas e operações?
Ao todo, o pedido envolve 178 pessoas jurídicas, incluindo 119 lojas do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo e 6 churrascarias Tendall Grill. Mesmo com o processo judicial em curso, o grupo reforçou que as operações seguem funcionando normalmente para os consumidores em todo o Brasil.
A Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial do processo. A partir de agora, o grupo tem um prazo de 60 dias para apresentar o plano detalhado de recuperação, que deverá ser aprovado pelos credores para que a empresa siga em frente com sua reestruturação.
Mudanças no modelo de negócio da rede
Fundado em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib’s focou por décadas em grandes lojas de rua com estacionamento e áreas infantis. No entanto, o custo de manter essas estruturas tornou-se insustentável nos últimos anos, levando ao fechamento de pontos deficitários em diversos locais.
Atualmente, a estratégia da marca está voltada para modelos mais enxutos, como quiosques em shoppings e as chamadas dark kitchens, focadas exclusivamente no delivery. Essa transição busca reduzir custos fixos e alinhar a operação às novas exigências do mercado de alimentação fora do lar.
O juiz responsável negou o pedido de quebra de travas bancárias, mas suspendeu cláusulas que antecipariam o vencimento de dívidas. O objetivo é garantir que a rede consiga manter o fornecimento de insumos essenciais, pagando à vista, para não interromper a produção de suas famosas esfirras.
A fonte original é o Estadão e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







