O Caso Fictor atingiu um novo nível de gravidade após a administradora judicial da empresa apresentar conclusões preocupantes sobre a saúde financeira e as práticas de gestão do grupo empresarial.
Foram identificadas movimentações atípicas que somam bilhões de reais, além de gastos elevados em cartões de crédito, o que gerou um forte movimento jurídico por parte dos credores afetados pelo rombo.
A administradora Laspro Consultores agora defende o afastamento imediato dos fundadores sob a acusação de manterem um esquema com características de pirâmide financeira, conforme divulgado pelo Estadão.
Entenda os indícios de pirâmide financeira no Caso Fictor
A manifestação enviada à Justiça reforça as suspeitas dos credores. Segundo os autos do processo, o grupo é investigado por uma baixa de R$ 309,7 milhões no caixa, anotada como despesas de cartão de crédito.
Outro ponto crítico envolve cerca de R$ 3 bilhões captados via Sociedades em Conta de Participação, as chamadas SCPs. O destino desse montante, que deveria financiar projetos específicos, permanece desconhecido.
A Justiça determinou a anulação de contratos de SCP por simulação. Os documentos prometiam remuneração fixa mensal aos investidores, algo que não estava relacionado ao desempenho real dos projetos associados.
Operação Fallax e o cerco da Polícia Federal
A situação da empresa se agravou com a Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal em março. A investigação apura fraudes contra a Caixa Econômica e tem o fundador Rafael Ribeiro Leite de Góis como alvo.
Mesmo diante das investigações criminais e da paralisia operacional, Góis e outros diretores continuaram à frente do grupo. Agora, a administradora judicial endossa a nomeação urgente de um gestor judicial.
Para a Laspro Consultores, o afastamento não é uma medida punitiva, mas uma forma de preservar o patrimônio remanescente e garantir a transparência para quem ainda tem valores a receber da companhia.
A controversa negociação com o Banco Master
Um fato que chamou a atenção do mercado financeiro e do Banco Central foi a tentativa da Fictor de comprar o Banco Master em 2023. A oferta foi de R$ 3 bilhões, supostamente apoiada por investidores árabes.
Curiosamente, apenas dois meses depois dessa oferta bilionária, a Fictor entrou em recuperação judicial declarando dívidas de R$ 4 bilhões, valor superior ao que havia oferecido na aquisição da instituição bancária.
Essa transação surpreendeu os técnicos do Banco Central, que não tinham conhecimento da operação até o anúncio pela imprensa. O pedido de recuperação judicial logo em seguida levantou ainda mais suspeitas de fraude.
O que dizem os envolvidos sobre as acusações
Em nota oficial enviada ao Estadão, a Fictor afirmou que as alegações não representam conclusões definitivas sobre a atuação da companhia ou de seus diretores, permanecendo concentrada na sua reestruturação.
O advogado Felipe Silveira, que representa mais de 300 credores, argumenta que o pedido de afastamento demorou a ocorrer, visto que os laudos já indicavam circulação atípica de recursos entre as empresas do grupo.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode ler a matéria completa através do link: Estadão | Caso Fictor.






