O mercado brasileiro atravessa um período de forte turbulência financeira, com grandes marcas buscando alternativas para evitar o colapso total de suas operações comerciais nas últimas semanas.
Nomes conhecidos como Casas Bahia, Marabraz e Braskem entraram na mira dos holofotes ao buscarem proteções legais contra o acúmulo de dívidas que se tornaram impagáveis em curto prazo.
Entenda como a combinação de juros altos e falhas de gestão pode levar ao processo de recuperação judicial e o que esperar do cenário econômico, conforme informações divulgadas pelo Estadão.
O cenário da recuperação judicial no Brasil e os desafios das grandes marcas
Nas últimas semanas, o Brasil viu marcas consolidadas sucumbirem à escalada da dívida. Elas foram obrigadas a entrar com pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial para tentar colocar a casa em ordem.
Segundo Ricardo Knoepfelmacher, sócio da RK Partners, a taxa de juros elevada compromete a saúde financeira e encarece o custo da dívida, mas cada empresa possui suas próprias peculiaridades e problemas internos.
O peso dos juros e a armadilha da alavancagem
Para o especialista, companhias muito alavancadas precisam reorganizar suas contas com urgência. Ele destaca que, atualmente, um quarto das empresas listadas na Bolsa não consegue sequer pagar os juros de suas dívidas.
Knoepfelmacher alerta que “qualquer empresa que tenha mais do que duas vezes e meia de dívida/Ebitda está muito alavancada. A não ser que esteja crescendo muito, essa empresa vai se esborrachar”.
O economista reforça que a Selic, mesmo em trajetória de queda, ainda representa um juro real altíssimo. Ele acredita que o patamar de conforto para as empresas seria um juro real abaixo de 5% ao ano.
Desafios estruturais do varejo à petroquímica
Além dos juros, setores como o varejo enfrentam problemas estruturais profundos. A entrada de gigantes como Amazon e Mercado Livre mudou a forma de consumo, o que exige mudanças que nem todos conseguem fazer.
No setor petroquímico, o desafio é o custo de produção. Novas plantas mundiais usam gás natural, muito mais competitivo que a nafta usada no Brasil. Para migrar essa tecnologia, o investimento necessário é de bilhões.
Outro setor que sente o impacto é o agronegócio, devido ao momento ruim das commodities. Soja e milho estão com pouca margem, prejudicando quem investiu pesado esperando retornos altos que não se concretizaram.
A diferença entre reestruturação extrajudicial e judicial
A recuperação judicial é vista como uma solução cara e demorada, geralmente indicada quando não há acordo entre credores muito diferentes, como bancos, fornecedores e detentores de títulos de dívida.
Já a recuperação extrajudicial é um processo mais leve e rápido. “Acredito que vai aumentar muito o número de REs, mas o número de RJs vai continuar também muito alto”, afirma Ricardo Knoepfelmacher.
Muitas vezes, a empresa tenta uma solução extrajudicial com prazo de 90 dias, mas, se não houver sucesso no quórum de credores, o caminho natural acaba sendo a recuperação judicial convencional e mais longa.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir os detalhes na íntegra através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







