A entrada massiva de pneus importados, especialmente vindos do continente asiático, está provocando um verdadeiro terremoto na indústria nacional de pneus. O setor alerta para riscos graves e imediatos.

O cenário atual coloca em xeque bilhões de reais em investimentos e milhares de postos de trabalho em todo o território brasileiro. A desorganização produtiva já é uma realidade preocupante para as fábricas.

As fabricantes instaladas no país viram sua participação de mercado despencar drasticamente em poucos anos, com prejuízos em toda a cadeia de suprimentos, conforme divulgado pelo Estadão.

A indústria nacional de pneus enfrenta desafios com a invasão de produtos estrangeiros

Inversão de mercado e concorrência desleal

Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), a participação das fabricantes locais no mercado de reposição caiu de 70%, em 2019, para apenas 30% atualmente. É uma mudança drástica e veloz.

No primeiro semestre, a venda de pneus nacionais caiu, enquanto as importações de pneus saltaram mais de 81%. Rodrigo Navarro, presidente da Anip, aponta que muitos produtos chegam com preços inferiores ao custo da matéria-prima.

O governo federal já iniciou ações contra a prática de dumping, mas o processo é lento. Quando uma barreira é criada contra um país, o produto muitas vezes acaba entrando no Brasil por meio de outras nações vizinhas.

Desequilíbrio nas regras ambientais

Outro ponto crítico são as normas ambientais de logística reversa. A legislação brasileira exige que fabricantes e importadores recolham pneus usados, mas os dados do Ibama mostram que os importadores falham sistematicamente.

Enquanto a indústria nacional de pneus investiu R$ 1,8 bilhão para superar as metas de reciclagem, o conjunto de importadores acumula um passivo de 500 mil toneladas de pneus descartados de forma irregular há 15 anos.

Essa diferença de custos regulatórios cria uma vantagem injusta para o produto estrangeiro. O setor nacional defende que todos os participantes do mercado sigam rigorosamente as mesmas exigências técnicas e ambientais vigentes.

Efeito dominó na economia brasileira

A crise já resulta em férias coletivas e demissões em diversas unidades produtivas. O impacto atinge fornecedores de aço, têxteis e, principalmente, os produtores de borracha natural, que dependem das fábricas de pneus.

Rodrigo Navarro alerta para o risco estratégico: “Se perdermos a soberania na borracha e no pneu, qualquer turbulência externa terá um impacto muito grande”, afirma o executivo, destacando a importância da produção local.

Com a redução das encomendas, muitos produtores rurais estão abandonando os seringais. Sem uma intervenção, o Brasil corre o risco de exportar empregos para a Ásia e enfraquecer um ecossistema industrial histórico e vital.

Medidas de defesa e futuro do setor

A Anip apresentou propostas ao governo, como a elevação da tarifa de importação de 25% para 35%, seguindo modelos já adotados pelos Estados Unidos e União Europeia, para garantir uma competição mais equilibrada.

Além disso, o setor pede maior agilidade nos processos de defesa comercial. Um estudo indica que esse ajuste tarifário teria um impacto quase imperceptível na inflação oficial, protegendo a indústria nacional de pneus e seus empregos.

“O Brasil precisa decidir se quer ter uma indústria forte, que gera emprego, renda, investimentos e consome matérias-primas locais, ou se prefere exportar empregos para a Ásia”, conclui Navarro em tom de alerta máximo.

A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo, disponível em: Estadão.

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