Os desafios do próximo presidente para reequilibrar o Brasil

O Brasil vive um cenário de forte desgaste entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, o que prejudica a governança e o crescimento, segundo os economistas Eduardo Giannetti e Samuel Pessôa.

Para eles, o próximo mandato será decisivo para reconstruir pontes e aprimorar critérios de indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de retomar o controle sobre o Orçamento Público no país.

O sucesso dessa jornada depende de aproveitar os primeiros meses de governo, quando o capital político é maior, para aprovar as reformas que combatam o déficit, conforme divulgado pelo Estadão.

A degradação da relação entre os poderes nacionais

Eduardo Giannetti explica que a crise atual não surgiu de uma ruptura brusca, mas de um processo contínuo de degradação. Ele aponta que a falta de partidos programáticos fragiliza a relação com o Legislativo.

Segundo o economista, o Congresso Nacional ganha protagonismo à medida que o capital político do Executivo diminui. Com isso, o governo acaba rendido ao Centrão para conseguir sobreviver politicamente.

Giannetti utiliza uma analogia biológica para descrever essa relação, onde o Legislativo funciona como um parasita que aproveita as vulnerabilidades do hospedeiro, no caso o governo, para extrair o máximo de recursos.

A urgência de um ajuste fiscal como prioridade

Para Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre, o Brasil precisa reduzir a taxa de crescimento do gasto primário para atrair confiança. Ele destaca que o sucesso econômico é o maior solvente para os conflitos políticos.

O pesquisador afirma que “esse tensionamento é contraproducente no longo prazo” e que o próximo presidente terá a missão de indicar nomes independentes para o Supremo Tribunal Federal para reduzir a politização.

Pessôa ressalta que, se o governo conseguir endereçar o problema fiscal, haverá mais espaço para negociar com o Congresso. A prosperidade inicial garantiria a força necessária para as mudanças institucionais exigidas.

Expectativas sobre o futuro da governança no Brasil

Giannetti defende que os primeiros 100 dias de mandato são fundamentais. Ele acredita que o Brasil precisa vencer a batalha das expectativas logo na entrada para evitar uma desvalorização cambial e inflação alta.

“Se o governo for bem, as tensões e os conflitos tendem a ficar menores”, diz Giannetti. Ele alerta que, se a gestão falhar no início, a solvência do setor público será questionada e os conflitos vão aumentar.

Ambos os especialistas concordam que o ajuste fiscal é a pauta prioritária. Sem ele, não haverá espaço para políticas sociais sustentáveis, tornando o impasse institucional brasileiro ainda mais difícil de ser resolvido.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode ler a matéria completa através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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