A precariedade dos serviços básicos e a falta de conectividade física na região norte atingiram níveis alarmantes, prejudicando o desenvolvimento de toda a nação brasileira nos últimos anos.
A ausência sistemática do Estado em áreas remotas abre espaço para que o crime organizado assuma o controle de territórios, oferecendo serviços e gerando uma economia pautada na ilegalidade.
O especialista Roberto Waack afirma que é urgente mudar a forma como o país investe na infraestrutura na Amazônia para garantir soberania, conforme divulgado pelo Estadão.
O Choque Necessário na Infraestrutura na Amazônia
Roberto Waack destaca que a situação atual é inaceitável, apontando que apenas 30% dos domicílios possuem tratamento de esgoto. Esse cenário trava qualquer tentativa de desenvolvimento regional sustentável.
A região gera 35% da energia nacional, mas retém apenas 8% desse total. Segundo ele, “É absurda a situação da infraestrutura na Amazônia. É preciso um choque”, reforçando a urgência por ferrovias e saneamento.
Capital Natural como Vetor de Riqueza
O conceito de capital natural é central para esta nova estratégia econômica. Trata-se de atribuir valor real aos serviços que a natureza oferece livremente, como água limpa e a regulação do ar.
Para Waack, o Brasil deve liderar essa discussão mundial. Ele propõe medir o estoque de carbono para gerar incentivos fiscais, atraindo novos recursos de bancos de desenvolvimento para os municípios.
“Para dar tangibilidade ao que a gente diz quando fala que a natureza é importante, a gente precisa transformar em política pública que permita medir e relacionar essa medição”, explica o especialista.
O Combate ao Crime e a Presença do Estado
A falta de infraestrutura na Amazônia favorece um combo criminoso que une tráfico de drogas, garimpo ilegal, exploração de madeira e a grilagem de terras públicas em diversas frentes de atuação.
Waack afirma que “essas questões estão totalmente conectadas. E pior: ela está contaminando tremendamente o ambiente político”, o que exige inteligência policial avançada e forte vontade política dos governantes.
O combate ao crime está diretamente associado a oferecer às populações locais melhores condições de vida, garantindo que o Estado ocupe os espaços hoje dominados por milícias e grupos de garimpo.
O Papel do Agronegócio e do Código Florestal
O especialista defende que o Código Florestal brasileiro é uma preciosidade legislativa. Ele permite associar a conservação ambiental à produção de larga escala, algo único em todo o planeta hoje.
O setor privado possui milhões de hectares conservados que ainda são vistos apenas como passivo. O desafio atual é transformar esse cuidado em reconhecimento econômico e aumento de produtividade real.
Ao conectar a produção de commodities ao valor do capital natural, o Brasil reforça sua posição como potência de segurança alimentar e energia, garantindo resiliência diante das severas mudanças climáticas.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e o conteúdo completo pode ser lido em: Estadão | Brasil deve liderar a discussão de capital natural, diz Roberto Waack







