A indústria extrativa está passando por uma metamorfose profunda, deixando para trás as picaretas para dar lugar a algoritmos sofisticados e máquinas que operam sozinhas em ambientes complexos.
Essa transição, conhecida como Mineração 4.0, promete aumentar a produtividade e a segurança, reduzindo drasticamente o impacto ambiental e os custos operacionais das grandes companhias.
No entanto, o caminho para a total automatização no cenário brasileiro ainda encontra obstáculos econômicos significativos, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto da Mineração 4.0 no cenário brasileiro e global
Historicamente, a mineração dependia de esforço físico intenso. Hoje, países como a China lideram a revolução industrial do setor com operações quase totalmente automatizadas e uso massivo de inteligência artificial.
No Brasil, o processo de modernização está em estágio intermediário. Segundo José Carlos Martins, presidente da Cedro Participações, é muito mais simples implementar tecnologias disruptivas em projetos que estão começando do zero.
A Cedro Mineração exemplifica esse movimento ao investir cerca de R$ 3,5 bilhões para triplicar sua produção de minério de ferro em Minas Gerais, mirando superar 20 milhões de toneladas na próxima década.
Tecnologia e o novo perfil do profissional mineral
O foco da nova era é substituir a força bruta pelo intelecto. A companhia planeja utilizar processos de extração com mínima mão de obra humana, priorizando a segurança e a eficiência nas operações em Mariana e Nova Lima.
“Queremos que os profissionais trabalhem pensando, e não minerando”, afirmou Martins. A ideia é transformar o chamado submineral em um produto mais rico, com menor impacto ambiental e baixo custo de produção.
Para o executivo, a lucratividade da mineração moderna depende diretamente da redução de custos e do aprimoramento tecnológico, que gera competitividade frente ao mercado internacional cada vez mais exigente.
Desafios financeiros e o mercado de capitais
Apesar do potencial, o Brasil enfrenta dificuldades para financiar a automatização. Patricia Seoane, sócia da PwC Brasil, ressalta que o mercado de capitais nacional ainda é restrito quando comparado ao de países como Canadá e Austrália.
Lá fora, os investidores estão mais dispostos a assumir riscos tecnológicos. No território brasileiro, as taxas de juros elevadas desestimulam aportes em inovação, dificultando a captação de recursos necessários para a modernização das frotas.
A falta de incentivos financeiros impede que empresas menores acompanhem o ritmo de gigantes como Vale e BHP, que já operam com drones, satélites, redes 5G e gestão avançada de dados em tempo real.
Barreiras regulatórias e a questão tributária
Outro entrave crítico é a regulação ambiental. De acordo com Pablo Cesário, diretor do Ibram, uma mina leva em média 17,2 anos para começar a produzir no Brasil, prazo que tem aumentado devido à falta de clareza nos critérios regulatórios.
“O que queremos é que ela seja clara. Que os critérios sejam claros. Se ela continuasse rigorosa como é, mas com as responsabilidades de cada parte bem definidas, esse tempo diminuiria bem”, explicou Cesário durante o evento.
Além disso, a carga tributária brasileira sobre pesquisas geológicas é punitiva. Diferente de outros polos mineradores, o Brasil não considera o investimento em pesquisa como isento, o que acaba matando setores estratégicos, como o de extração de enxofre.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.






