A Alloha Fibra, uma das maiores operadoras de banda larga do Brasil, acaba de realizar um movimento agressivo no mercado financeiro para reorganizar suas contas e garantir sua sobrevivência.
A empresa captou cerca de R$ 1,8 bilhão no exterior através da emissão de títulos, enfrentando um cenário de alta competitividade e pressão econômica que atinge todo o setor de tecnologia.
Essa manobra bilionária expõe os desafios vividos pelos provedores regionais de internet no país, que buscam alternativas para lidar com dívidas crescentes, conforme divulgado pelo Estadão.
Refinanciamento da Alloha acende alerta sobre dívidas no setor de internet
A Alloha Fibra, controlada pela Eb Capital, levantou US$ 350 milhões na última semana. O objetivo é alongar os prazos de pagamento e reduzir o custo de uma dívida líquida que somava R$ 2,9 bilhões.
Para investidores, as condições impostas assemelham-se a uma reestruturação financeira. A empresa assumiu uma agenda rígida de redução de débitos, carimbando o destino de cada centavo captado lá fora.
O presidente do conselho da Alloha, Eduardo Melzer, defende que a decisão foi voluntária. “Buscamos um refinanciamento e tivemos uma validação de mercado gigantesca”, afirmou o executivo sobre a operação.
Desafios de liquidez e pressão do mercado internacional
A operação, coordenada pelo Goldman Sachs, encontrou um mercado arisco devido a problemas recentes em outras empresas brasileiras. Isso aumentou o prêmio de risco para a captação da operadora.
A Alloha deve direcionar R$ 900 milhões para liquidar dívidas com bancos locais. O restante do montante será usado para pré-pagar títulos que venceriam até o ano de 2027, aliviando o fluxo de caixa atual.
O dinheiro captado ficará em uma conta reserva monitorada. Qualquer falha na prestação de informações mensais pode ser considerada um evento de calote, o que demonstra o rigor dos novos termos aceitos.
Alavancagem alta e a disputa feroz por novos clientes
Em dezembro, a companhia enfrentou um pico de estresse financeiro. Foi necessário pedir dispensa aos credores para não descumprir limites de alavancagem, o que custou uma taxa de R$ 18 milhões à empresa.
Atualmente, a alavancagem está em 3,49 vezes o Ebitda. O compromisso é baixar esse índice para menos de 3,0 vezes até 2027. Melzer garante que a captação resolve os desafios de liquidez da marca.
Mesmo sendo uma gigante com 1,3 milhão de usuários, a Alloha perdeu cerca de 300 mil clientes no último ano. A estratégia agora é focar em rentabilidade e ser mais seletiva na base de assinantes da rede.
Cenário crítico para provedores regionais de banda larga
O movimento da Alloha serve de aviso para outras operadoras como Vero, Alares e Desktop. Muitas se endividaram para expandir redes, mas agora sofrem com juros altos e preços de planos que estão estagnados.
A competição acirrada impede o reajuste de mensalidades, enquanto os custos operacionais continuam subindo. Esse cenário tem forçado uma onda de fusões e aquisições como saída para a crise de caixa.
Empresas como a Ligga já foram vendidas, e a Desktop passou para o controle da Claro recentemente. O setor de internet fixa vive uma fase de consolidação necessária para manter a operação sustentável no Brasil.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







