Uma investigação federal está revelando um cenário preocupante que envolve milhões de reais das aposentadorias de servidores públicos, aplicados em um fundo imobiliário de baixa liquidez e risco elevado.

O Tribunal de Contas e o Ministério Público acompanham de perto movimentações que somam R$ 185,5 milhões, abrangendo 12 institutos de previdência de diferentes estados brasileiros em um produto financeiro específico.

O caso acende um alerta sobre a gestão desses recursos e possíveis conflitos de interesse que podem comprometer o patrimônio dos trabalhadores, conforme divulgado pelo Estadão.

Investigação revela suspeitas sobre o fundo Nest Eagle

O foco das autoridades está no fundo Nest Eagle, criado no final de 2024. O levantamento aponta que 12 institutos de previdência estaduais e municipais concentraram seus recursos neste único ativo imobiliário.

O Rioprevidência lidera o volume de aportes, com R$ 75 milhões investidos, o que representa cerca de 40% do total do fundo. Essa aplicação já está sob a mira da Polícia Federal e de tribunais de contas.

Além do Rio de Janeiro, institutos de cidades como Maceió, Cajamar, São Roque e diversas localidades do Mato Grosso do Sul também realizaram investimentos significativos no produto gerido pela Nest Asset.

Limites de investimento desrespeitados pelo Rioprevidência

De acordo com o TCE,RJ, o Rioprevidência teria ignorado regras de segurança ao investir no fundo Nest Eagle. A norma estabelece que a entidade só poderia deter até 15% de participação no produto.

Para respeitar esse teto, o aporte deveria ser de, no máximo, R$ 24 milhões. No entanto, o valor aplicado foi mais que o triplo do permitido, o que levou o tribunal a proibir novos investimentos na carteira.

A Corte de Contas destacou que houve temeridade na entrada inicial em um veículo novo, afirmando que: “Mais uma vez, verifica-se temeridade na entrada inicial em veículo novo, com governança e métricas de risco pouco demonstradas”.

Conflito de interesse e imóveis de alto luxo

O fundo Nest Eagle utilizou os recursos para adquirir imóveis de luxo, como 18 apartamentos no edifício Saint Barthelemy, em São Paulo. Contudo, a operação levantou suspeitas de conflito de interesses no mercado.

O consultor imobiliário do fundo na época, Felipe Augusto Napoli, indicou a compra de propriedades que pertenciam a empresas de sua própria família. O fundo realizou uma assembleia para aprovar o negócio mesmo com esse alerta.

A Nest Asset defende que a escolha foi técnica e baseada na experiência do consultor. Entretanto, o fundo acumula valorização de apenas 3,72%, enquanto o índice médio do mercado (Ifix) subiu 20% no mesmo período.

Ligações com a Operação Carbono Oculto

Outro ponto que preocupa as autoridades é a menção de nomes ligados ao fundo em investigações criminais. Felipe Napoli apareceu em desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro.

As investigações citam um suposto vínculo com Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontado como um dos líderes de um esquema de sonegação. Ele possuía 1% de participação na empresa que vendeu os apartamentos ao fundo.

A defesa de Napoli nega irregularidades e afirma que as transações foram legais e relacionadas à venda de um imóvel específico. A Nest Asset reforçou que não havia informações públicas sobre tais relações no momento da compra.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
Presidente do BRB fala a deputados do DF que avalia venda de Financeira do banco por R$ 1,2 bi

Justiça impede governo do Distrito Federal de realizar aporte no BRB com imóveis públicos

BRASÍLIA — A Justiça Federal proibiu o governo do Distrito Federal de…
Além da 6x1: o fim do amortecedor de ineficiência

Além da 6×1: o fim do amortecedor de ineficiência

Redução de jornada de trabalho não é ideologia, mas matemática 6:12 Muitas…
Reforma tributária: impasse sobre disputas judiciais pode criar caos no sistema durante transição

Reforma Tributária: Impasse judicial ameaça empresas e pode gerar caos em 2027. Veja os riscos!

O impasse sobre quem julgará os conflitos do IVA dual gera temor de insegurança jurídica e decisões conflitantes entre tribunais.
Combustíveis: Petrobras nega defasagem nos preços e reforça sua política de reajustes

Petrobras Nega Defasagem nos Preços dos Combustíveis e Responde à CVM em Meio a Tensionamentos do Mercado

Entenda como a estatal se posiciona sobre a política de preços da gasolina e diesel, desmentindo cálculos de mercado e pressões políticas.