O jornalista Robson Viturino lança a obra Os Safra, um mergulho profundo na trajetória de uma das famílias mais influentes e discretas do setor financeiro global. A publicação promete desvendar os bastidores de um império bilionário.
Foram nove anos de pesquisa rigorosa e mais de 150 entrevistas para reconstruir uma saga que envolve poder, tradição e os mistérios que cercam os fundadores de nove bancos importantes, conforme divulgado pelo Estadão.
O livro aborda desde as raízes em Alepo, na Síria, até as polêmicas recentes envolvendo heranças bilionárias e escândalos internacionais. O autor utiliza uma narrativa tensa para prender o leitor do início ao fim.
A trajetória da família Safra entre a tradição e o sigilo absoluto
Para relatar a saga da família que fundou instituições financeiras em diversos países, Viturino realizou pesquisas em três continentes. O esforço resultou em uma obra independente com mais de 450 páginas de pura história.
Viturino, que já foi jornalista e hoje atua como psicanalista, começou a se interessar pela dinastia em 2013. Na época, ele trabalhava na revista Época Negócios e percebeu o potencial romanesco daquela trajetória familiar.
O autor destaca que os membros da família são conhecidos pela extrema discrição e aversão à imprensa. “Fiquei com aquela história me rondando, porque eu achava tudo muito romanesco”, afirma o escritor sobre o seu processo criativo.
Pesquisa minuciosa e mistérios em Mônaco
O livro inicia com a morte de Edmond Safra em 1999, ocorrida em um incêndio misterioso em Mônaco. O episódio gerou um frenesi mundial e permanece cercado por controvérsias e falhas nas investigações oficiais até hoje.
Além de vasculhar arquivos da CIA, Viturino enviou cartas de papel para convencer os membros mais velhos da família a darem depoimentos. Ele notou um paradoxo entre o desejo de sigilo e a necessidade de reconhecimento público.
“Apesar de a família ser muito fechada, há um paradoxo que é a necessidade de reconhecimento pelo que eles fizeram”, observa o autor. O livro intercala fatos históricos distantes com acontecimentos recentes da família.
Escândalos financeiros e o envolvimento com Bernard Madoff
A obra não evita temas espinhosos, como o envolvimento indireto do grupo com o esquema de pirâmide de Bernard Madoff. O caso gerou prejuízos milionários para investidores brasileiros atendidos por instituições ligadas aos Safra.
Outro ponto abordado são as investigações da Operação Zelotes no Brasil e acusações de auxílio à evasão fiscal nos Estados Unidos. Em um dos episódios, o banco suíço do grupo pagou uma multa de US$ 85,8 milhões.
Nos anos 90, o banco de Edmond Safra também foi alvo de investigações do FBI por movimentações ligadas a bancos russos. Apesar do cerco das autoridades, a instituição financeira não chegou a ser processada criminalmente na época.
Disputas pela herança e o desfecho em Genebra
As brigas internas pela herança de José Safra também ganham destaque. Viturino admite que ficou obcecado em acompanhar o caso até o fim, o que atrasou o lançamento da obra, mas permitiu um fechamento mais completo.
O desfecho da narrativa ocorre com o acordo firmado pela família em Genebra, em 2024. O documento encerra uma disputa pública entre os irmãos e coloca um ponto final em anos de incertezas sobre o destino da fortuna.
Segundo o autor, “o mar esculpe, teimoso, em cada onda, o monumento em que se desmorona”. A frase resume a resiliência e as crises enfrentadas por essa dinastia que moldou parte do sistema financeiro mundial.
A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







