A Europa deu um passo decisivo para controlar o avanço tecnológico com a entrada em vigor de novas disposições da AI Act, a legislação pioneira que regula robôs e algoritmos complexos em todo o continente.

A medida visa proteger cidadãos contra manipulações e garantir que qualquer conteúdo criado por máquinas seja devidamente identificado, combatendo a desinformação desenfreada e os perigosos deepfakes.

Este movimento busca equilibrar a inovação tecnológica com a segurança jurídica e a ética no ambiente digital para todos os usuários, conforme divulgado pelo Estadão.

Como as novas regras da Inteligência Artificial funcionam na prática?

A legislação, aprovada há dois anos, concede à União Europeia um dos marcos regulatórios mais avançados do mundo, estabelecendo limites claros para o desenvolvimento de sistemas automatizados de inteligência artificial.

A norma proíbe práticas como o uso da tecnologia para enganar ou manipular pessoas, ou para explorar vulnerabilidades relacionadas à idade ou deficiência, além de impor restrições rigorosas ao uso de dados biométricos.

As empresas do setor deverão adotar medidas para avaliar e mitigar riscos associados aos seus modelos, garantindo que a tecnologia não seja usada de forma nociva contra a sociedade ou para fins discriminatórios graves.

Transparência obrigatória para deepfakes

A partir de agora, entram em vigor novas obrigações de transparência, que exigirão que os conteúdos gerados por máquinas sejam claramente identificados, permitindo que o público saiba o que é real ou artificial.

A nova regulação determina que os deepfakes, que são conteúdos manipulados de forma hiper-realista, deverão ser sinalizados por meio de ícones, avisos ou identificadores específicos para evitar o erro do público.

Os modelos que já estão no mercado terão um período de adaptação até o dia 2 de dezembro para cumprir essas exigências, forçando gigantes da tecnologia a ajustarem suas ferramentas rapidamente para operar legalmente.

Fiscalização rigorosa pelo AI Office

O AI Office, órgão criado dentro da Comissão Europeia, poderá realizar avaliações e auditorias dos grandes modelos de tecnologia para comprovar o cumprimento das normas, exigindo acesso total aos sistemas internos.

Já os reguladores nacionais serão os encarregados de aplicar as normas aos modelos menores, garantindo que empresas de todos os tamanhos respeitem os direitos dos cidadãos e a privacidade dos dados coletados.

O futuro responsável da Comissão Europeia afirmou que “poderemos realizar avaliações exaustivas e faremos sempre o que for necessário” para garantir a segurança, sem citar empresas específicas como a Anthropic ou OpenAI.

Multas milionárias para empresas infratoras

Bruxelas contará com um amplo conjunto de sanções para punir quem descumprir as novas regras da Inteligência Artificial, com valores que podem impactar severamente o faturamento anual das grandes corporações.

As multas mais elevadas serão aplicadas em casos de atividades proibidas e poderão chegar a 7% do faturamento global da empresa ou 35 milhões de euros, prevalecendo sempre o valor que for mais alto para o infrator.

As demais infrações poderão ser punidas com multas de até 3% do faturamento global, e as empresas também poderão ser sancionadas caso dificultem ou obstruam as investigações conduzidas pelas autoridades europeias competentes.

Proibições severas nos próximos anos

A regulamentação será ampliada gradualmente e, a partir de dezembro, serão formalmente proibidos os sistemas de IA capazes de gerar imagens de pessoas nuas sem consentimento, os chamados nudes gerados por IA.

Normas específicas para tecnologias de alto risco, usadas em ambientes sensíveis como saúde ou segurança pública, começarão a ser aplicadas entre 2027 e 2028, dando tempo para que o mercado se adapte aos novos padrões.

A aplicação total dessas normas foi planejada para conceder mais tempo às empresas, mas o rigor na fiscalização promete mudar definitivamente a fronteira da inovação tecnológica e o acesso aos novos modelos de linguagem.

A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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