O perigoso abismo entre o desequilíbrio fiscal e as promessas eleitorais
O cenário econômico brasileiro vive um paradoxo intrigante, onde a visão dos especialistas técnicos diverge drasticamente das prioridades manifestadas pela população nas urnas e nas ruas.
Enquanto economistas afirmam que o desequilíbrio fiscal é a maior urgência do país, pesquisas mostram que o eleitor médio está muito mais preocupado com questões de segurança pública e corrupção sistêmica.
Essa desconexão abre espaço para que os principais candidatos apresentem planos de governo vagos, que evitam promessas de cortes reais de gastos, conforme divulgado pelo Estadão.
As estratégias do PT e as falas de Lula
O programa do candidato do PT faz menções sutis à necessidade de organizar as contas públicas, mas foca em exaltar esforços passados que somariam cerca de R$ 240 bilhões entre 2023 e 2026.
No entanto, a retórica política muitas vezes atropela a técnica. O próprio Lula demonstrou desdém pelo rigor fiscal recentemente ao afirmar que “é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit”.
O documento do partido é marcado pela repetição de termos como “continuaremos” e “ainda mais”, sugerindo a manutenção das políticas atuais sem propor uma guinada profunda para resolver o desequilíbrio fiscal.
Propostas de Flávio Bolsonaro sob a lupa
Do outro lado, o programa de Flávio Bolsonaro também apresenta lacunas. O texto promete reduzir a dívida pública e aplicar um “tesouraço” nos gastos, mas as contas parecem não fechar com as promessas.
O plano inclui medidas populares como a redução do IVA, conta de luz mais barata e menos impostos sobre o consumo, o que gera dúvidas sobre como a receita será mantida para equilibrar o orçamento.
Com expressões repetitivas e falta de detalhamento técnico, a proposta se assemelha a uma maçaroca desconexa de slogans que evita enfrentar diretamente o problema estrutural do desequilíbrio fiscal no Brasil.
O patrimonialismo e a falta de ajuste real
A realidade nua e crua é que nem candidatos, nem eleitores parecem desejar um ajuste fiscal verdadeiro. Existe uma ausência de convicção política para realizar as reformas que o país tanto necessita.
O desequilíbrio fiscal que observamos hoje é, em grande parte, um reflexo das regras de patrimonialismo que moldaram o Estado brasileiro, onde interesses específicos muitas vezes se sobrepõem ao bem comum.
Dessa forma, especialistas acreditam que as soluções serão apenas paliativas. O espaço político atual favorece pequenas alterações protelatórias, deixando o ajuste definitivo das contas públicas para um futuro incerto.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo






