O mercado imobiliário brasileiro vive um momento de forte contradição. Enquanto a vontade de adquirir a casa própria atinge níveis históricos, o bolso do consumidor enfrenta o desafio dos juros elevados e preços salgados.
A dificuldade em encontrar lançamentos que caibam no orçamento familiar está forçando uma mudança drástica de comportamento, especialmente para quem busca residências entre 500 mil e 1 milhão de reais.
Esse cenário transformou os imóveis de segunda mão na principal alternativa para quem não quer adiar o sonho de uma nova residência, conforme divulgado pelo Estadão.
A nova realidade da compra de imóveis no Brasil
A intenção de compra de imóveis no Brasil atingiu o maior valor da série histórica da consultoria Brain, chegando a 52%. O índice está nove pontos percentuais acima da média histórica registrada desde 2019.
Mesmo com a taxa Selic acima de 13%, o desejo do brasileiro permanece em alta. Contudo, a queda de juros menor do que o previsto tornou os projetos para a classe média escassos no mercado de novos.
Como as incorporadoras focam em luxo ou no segmento popular, o “meio do caminho” ficou desassistido. Isso fez com que 70% dos financiamentos pelo SBPE no primeiro semestre fossem para unidades usadas.
O impacto da taxa Selic e o custo dos novos projetos
Fabio Tadeu Araujo, CEO da consultoria Brain, explica que criar projetos viáveis para a classe média é um desafio. O custo do crédito e o valor dos terrenos dificultam o surgimento de novos prédios acessíveis.
“Faltam imóveis hoje em SP na faixa de R$ 500 mil a R$ 1 milhão porque as incorporadoras estão com mais dificuldade de encaixar a viabilidade dos projetos,” afirma o especialista Araujo.
Além dos terrenos caros, o aumento nos preços dos insumos da construção civil empurra as empresas para o mercado de alto padrão, onde as margens de lucro são maiores e mais seguras para o negócio.
O fenômeno dos apartamentos antigos e espaçosos
Muitos compradores preferem o mercado secundário pelo custo-benefício. Imóveis novos, muitas vezes menores e no estilo estúdio, não atendem às necessidades de famílias que precisam de mais espaço interno.
A tatuadora Letícia Gadelha optou por um usado de 50 metros quadrados. “Todos são muito pequenos e num valor agregado alto,” diz ela sobre os lançamentos, preferindo o charme e o espaço dos antigos.
“Eu gosto dessa coisa de um apartamento um pouco mais espaçoso, e até mesmo dos materiais que são feitos: gosto de um piso de taco, um pé direito alto,” explicou Letícia sobre sua escolha.
Minha Casa, Minha Vida e a nova esperança
A criação da faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida visa socorrer a classe média com renda de até 13 mil reais. O programa agora permite financiar imóveis de até 500 mil reais com condições melhores.
Embora o teto de financiamento atinja grande parte do mercado nacional, o reflexo nos lançamentos demora. O ciclo imobiliário longo faz com que novos prédios demorem anos para chegar efetivamente ao comprador.
Para José Augusto Viana Neto, do Creci-SP, “o crescimento de usado é a incapacidade do setor produtivo de atender à necessidade do mercado,” ressaltando o déficit de novas ofertas para esse público.
Cuidados essenciais antes de fechar negócio
Ao optar pela compra de imóveis usados, é vital realizar uma inspeção detalhada. Problemas estruturais ou reformas complexas devem ser previstos no orçamento final para evitar surpresas desagradáveis.
Especialistas recomendam analisar a documentação com rigor. Pendências judiciais dos antigos donos podem travar o processo, exigindo cautela para que a aquisição não se torne um problema emocional e financeiro.
A localização também influencia o preço. Em regiões centrais, os usados podem ser bem antigos, enquanto nas periferias o volume de casas com custo menor e bom estado de conservação tende a ser bem mais elevado.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes na íntegra através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







