Como o CEO Fabrício Oliveira planejou a sucessão após diagnóstico de risco

Fabrício Oliveira, CEO da empresa de tecnologia Vockan, não é um líder convencional. Ele implementou a semana de quatro dias e pratica meditação, mas viu sua vida mudar drasticamente após um diagnóstico de saúde inesperado.

Ao descobrir um tumor cerebral com crescimento acelerado, o executivo teve que tomar decisões urgentes sobre seu futuro e o da companhia. A possibilidade de sequelas graves ou morte forçou um planejamento de sucessão em tempo recorde.

Este relato emocionante mostra como a vulnerabilidade humana pode transformar a gestão corporativa e a importância de estar preparado para o imprevisível, conforme divulgado pelo Estadão.

O diagnóstico que mudou tudo na trajetória do executivo

Oliveira monitorava um tumor cerebral chamado schwannoma há três anos. No entanto, durante exames recentes, os médicos detectaram um crescimento anormal de 136%, o que exigia uma cirurgia de alta complexidade e riscos imediatos.

“Começou a passar um monte de coisas na minha cabeça. A empresa estava começando a deslanchar. Será que eu não vou ver? Foi um momento de reflexão. A empresa tinha de ter continuidade”, relembra o CEO da Vockan.

A partir desse momento, ele iniciou uma corrida contra o tempo. O objetivo era garantir que a operação, que representa exclusivamente o software americano QAD no Brasil, não sofresse impactos caso ele não pudesse retornar ao comando.

A estratégia de sucessão em apenas dois meses

A responsabilidade de manter a sobrevivência de uma empresa jovem fez Oliveira agir rápido. Ele reuniu os cinco diretores da companhia, que eram os sucessores naturais, para abrir o jogo sobre seu estado de saúde e as necessidades do negócio.

“Eu precisava deixar as coisas estruturadas caso algo acontecesse”, afirma. Inicialmente, houve resistência da liderança, mas o grupo decidiu eleger um dos diretores para assumir o cargo de CEO caso Oliveira ficasse com sequelas graves.

O plano incluiu estratégias de comunicação para clientes e fornecedores, além de delimitar fluxos de decisão. Oliveira também contou com auxílio jurídico para lavrar um Testamento Vital, garantindo que suas escolhas em vida fossem respeitadas.

Uma nova fase focada em pessoas e inteligência artificial

A cirurgia realizada em dezembro foi um sucesso, deixando apenas uma perda auditiva no lado esquerdo. Após um mês de recuperação, Oliveira retornou com uma visão transformada sobre o que significa liderar uma organização em crescimento.

Hoje, ele incentiva que os funcionários busquem a “felicidade genuína” e pratica hábitos saudáveis, como musculação e acupuntura. “Eu levo a vida menos a sério, isso não quer dizer que eu não tenha responsabilidades”, relata o executivo.

Nos negócios, a meta é alcançar R$ 1 bilhão em valor de mercado em cinco anos. A estratégia agora é baseada no conceito IA and People First, onde a inteligência artificial e a valorização humana formam a espinha dorsal da empresa.

O desafio do planejamento sucessório no mercado brasileiro

O caso de Oliveira é uma exceção em um país onde a sucessão raramente é prioridade. Dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostram que 55,2% das companhias de capital aberto não têm planos para a troca de comando.

A ausência desse planejamento pode levar a conflitos entre herdeiros ou até à extinção da empresa. Especialistas apontam que muitos fundadores só pensam no sucessor quando estão próximos da aposentadoria ou diante de eventos traumáticos.

Para Oliveira, a experiência de “quase morte” serviu para amadurecer a governança da Vockan. Agora, com mais de 220 colaboradores, a empresa segue um ritmo acelerado de crescimento orgânico e aquisições, preparada para o futuro com ou sem seu fundador.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | O CEO que planejou a própria sucessão em apenas dois meses após receber diagnóstico de quase morte.

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