Casos de passageiros que desobedecem regras na aviação crescem 66%

Por conta do aumento de casos, Brasil pode ter “no fly list”: casos graves aumentaram 30%. Crédito: Estadão

Com a conclusão de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (chapter 11), a companhia aérea Azul deixa de ter seu fundador, David Neeleman, como controlador e passa a operar como uma corporation (empresa cujo controle é pulverizado).

A companhia que emerge dessa reestruturação deverá ter as americanas United Airlines e American Airlines como acionistas de referência, cada uma com 8% de participação — o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda precisa aprovar a entrada da American na empresa.

Apesar de perder o controle da Azul, Neeleman, um empresário americano nascido no Brasil, continua fazendo parte do conselho de administração, do qual é presidente. O CEO da companhia, John Rodgerson, também permanece no conselho e no cargo.

“(Não ter um controlador) fez parte do acordo para não proteger a participação de ninguém (durante a reestruturação). O que foi protegido nesse processo foi a Azul”, disse Rodgerson na manhã desta segunda-feira, 23, em entrevista à imprensa.

A Azul anunciou na última sexta-feira sua saída do chapter 11, após quase nove meses de reestruturação. Nesse período, a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem (dívida líquida em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2,5 vezes. Há um ano, esse indicador era de 4,9 vezes. Os juros anuais pagos sobre empréstimos e financiamentos também recuou — em mais de 50% — e os custos de locação de aeronaves caíram em um terço.

Para deixar a reestruturação judicial para trás, a empresa ainda emitiu US$ 1,375 bilhão em dívida e recebeu uma injeção de US$ 950 milhões por meio de participação na companhia. Desse montante, US$ 100 milhões foram da United Airlines. Outros US$ 100 milhões devem ser colocados pela American Airlines assim que houver aval do Cade.

Qual a estratégia da Azul para o pós-recuperação judicial?

Em sua nova fase, a Azul terá como foco, segundo Rodgerson, recuperar o cliente perdido durante a reestruturação. A intenção é priorizar melhorias no serviço para atrair o consumidor, e não o crescimento.

Antes mesmo da recuperação judicial, a Azul atravessou uma fase de deterioração de seu serviços, com voos sendo cancelados. O NPS (métrica que indica a probabilidade de uma empresa ser recomendada pelo cliente) chegou a cair 34 pontos. Segundo o executivo, em seis meses até junho de 2025, 30 pontos haviam sido recueprados.

“Vamos crescer com responsabilidade e reconquistar nossos clientes. Voar com a Azul sempre foi diferenciado, mas, nos últimos seis anos, estávamos em um modo de sobrevivência”, afirmou o CEO. “Agora, estamos no modo de reinvestir nos nossos clientes e na nossa marca, mas vamos fazer isso com responsabilidade. Se passo a crescer 20% ao ano, vou perder o foco de reconquistar o que é nosso”, acrescentou.

A companhia projeta um crescimento de 1% na oferta em 2026. O número é inferior ao projetado por Rodgerson em junho do ano passado. Pouco após a empresa entrar em chapter 11, o executivo reconheceu que a Azul seria uma empresa com crescimento mais tímido, mas, à época, projetou que a alta anual ficaria ao redor de 3% ou 4%. Para efeitos de comparação, a Latam estima uma expansão na oferta de 6% a 8% neste ano.

Sobre a possibilidade de voltar a abrir novas rotas, Rodgerson disse que o movimento será feito, mas com responsabilidade. “Todo mundo achava que a Azul iria diminuir (durante a recuperação), porém isso não aconteceu. Agora, com o balanço saudável, há muito mais flexibilidade para crescer.”

Segundo o executivo, quando a empresa recebia cerca de 20 novos jatos por ano para operar, era mais fácil acabar inserindo em sua malha aérea uma rota pouco rentável. Agora, a previsão é de cinco novas aeronaves por ano, o que torna a companhia mais cautelosa para anunciar novos destinos.

Também na fase pós-recuperação judicial, a Azul não pretende retomar as negociações de fusão com o Grupo Abra, controlador da Gol. “Essa era uma opção, antes do chapter 11, para resolver os mesmos problemas que lidamos durante o processo. Agora que saímos, não há necessidade de fusão”, disse Rodgerson.

Em janeiro de 2025, a Azul e o Grupo Abra haviam assinado um memorando de entendimento para avaliar uma possível junção das operações. Mas as discussões foram oficialmente encerradas em setembro. O ponto final, que incluiu também a rescisão do acordo de codeshare, foi atribuído à falta de avanço nas conversas, assim como mudanças no cenário decorrentes da reestruturação da Azul.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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