A gigante do setor de laticínios, Danone, está redesenhando suas estratégias para equilibrar o aumento da produtividade com metas ambientais ambiciosas. O foco agora é atender a uma demanda crescente por proteínas funcionais.

Com investimentos que já somam R$ 10 milhões no mercado brasileiro, a companhia busca fortalecer sua cadeia produtiva por meio da agricultura regenerativa. A meta é garantir que o crescimento não eleve a emissão de gases.

Esse movimento acompanha mudanças no comportamento do consumidor e novas tendências globais de emagrecimento, como o uso de medicamentos específicos para perda de peso, conforme divulgado pelo Estadão.

Estratégia da Danone une whey protein e sustentabilidade no mercado brasileiro

O efeito das canetas emagrecedoras na demanda por proteína

A popularização das canetas emagrecedoras (GLP-1) tem provocado um efeito curioso no mercado de suplementos. Como esses medicamentos podem causar perda de massa muscular, a busca por whey protein e iogurtes proteicos disparou.

De olho nisso, a Danone adquiriu o Made Group, focado em iogurtes funcionais. No Brasil, a marca YoPRO já registra crescimento de dois dígitos, refletindo a busca por soluções que combinam nutrição e saúde muscular.

Segundo Camilo Wittica, vice-presidente da empresa, a jornada voltada para a saúde está em voga. “As pessoas nessa jornada tendem a perder muito músculo, ter anemia. Então, o nosso portfólio também endereça bastante esse tipo de pessoa”, afirmou.

Redução de metano e a Jornada Flora

Ao mesmo tempo em que aumenta a oferta de proteína do leite, a Danone foca na redução de danos ambientais. O programa Jornada Flora já reduziu em 43% o fator de emissão de metano da empresa no Brasil desde o ano de 2020.

Esse resultado é 13 pontos percentuais superior à média global da companhia. A iniciativa promove o bem-estar animal e a eficiência produtiva junto a mais de 200 pequenos produtores rurais que fornecem leite diariamente.

A meta é que 45% dos ingredientes principais venham de agricultura regenerativa até 2030. Para a Danone, ampliar esse modelo é vital para que o crescimento da demanda por laticínios ocorra de forma sustentável no país.

Valorização global do soro do leite

O mercado de proteína vive um momento de forte valorização. Na União Europeia, o preço do insumo subiu 105% recentemente. No Brasil, o consumo de concentrados proteicos aumentou 11,4% em dezembro de 2025 em comparação ao ano anterior.

Dados do IBGE mostram que a captação de leite no país bateu recordes, atingindo 27,51 bilhões de litros. Esse cenário de alta demanda exige que indústrias como a Danone otimizem a captação sem desrespeitar os limites ambientais.

Mário Rezende, vice-presidente de Operações, destaca que o movimento indica uma busca por soluções nutricionais completas. A empresa foca em descarbonização para atingir o Net Zero até o ano de 2050 em toda a sua cadeia.

Crédito para o produtor e eficiência no campo

Para incentivar os produtores, a Danone mantém parcerias de crédito com o Banco do Brasil. O programa foca em quem atende critérios técnicos e socioambientais, oferecendo um retorno financeiro atrativo para quem investe em sustentabilidade.

Dados internos mostram que, para cada R$ 100 investidos pelo produtor, há um retorno médio de R$ 116 em até um ano. Isso gera engajamento e facilita a adoção de práticas que regeneram o solo e reduzem a emissão de poluentes.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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