O mercado de veículos eletrificados no Brasil está vivendo um momento de forte tensão. O motivo é a disputa em torno das cotas de importação para modelos híbridos e elétricos, que divide opiniões entre gigantes do setor.
De um lado, a Anfavea, que representa montadoras tradicionais, ameaça ir à Justiça contra a renovação de benefícios fiscais. Do outro, a chinesa BYD defende os incentivos como fundamentais para manter seus investimentos no país.
A polêmica ganhou força após declarações recentes dos líderes de ambas as entidades sobre o papel do governo federal nesse cenário, conforme divulgado pelo Estadão.
O conflito entre a BYD e a Anfavea sobre o carro elétrico
O vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, afirmou que “brigar com o governo nunca é bom”. A frase surgiu após a Anfavea sinalizar que pode contestar judicialmente a manutenção de benefícios à importação.
A Anfavea, que representa as fabricantes tradicionais, vê com preocupação a possível renovação de isenções para empresas que trazem veículos de fora. O grupo teme que a falta de isonomia prejudique quem já produz localmente.
Por outro lado, Baldy reforçou que a BYD respeita as instituições brasileiras e está cumprindo sua parte ao investir em tecnologia e geração de empregos na Bahia, atraindo capital estrangeiro para o território nacional.
A posição da BYD sobre os investimentos na Bahia
Para a montadora chinesa, os benefícios fiscais foram acordados previamente com o governo federal. Segundo Baldy, “A BYD só requisitou ao governo aquilo que foi o compromisso para a realização dos investimentos da nossa fábrica na Bahia”.
A empresa defende que a isenção do imposto de importação é uma fase necessária de transição. O objetivo é permitir que a produção em Camaçari alcance maturidade com um maior índice de conteúdo nacional nos próximos anos.
A cota de importação com alíquota zero permitiu que a marca trouxesse veículos parcialmente montados da China. Esse modelo é visto como essencial para viabilizar a operação inicial da fábrica baiana e garantir a competitividade.
Anfavea alerta para risco de desindustrialização
Igor Calvet, presidente da Anfavea, demonstrou insatisfação com a condução das decisões governamentais. Ele afirma que mudar as regras agora seria como alterar o jogo aos “49 minutos do segundo tempo”, afetando a confiança.
A entidade alerta que a renovação de cotas pode gerar um processo de desindustrialização. Se as regras favorecerem a importação, as montadoras instaladas podem preferir trazer carros em navios em vez de fabricá-los em solo brasileiro.
Calvet questionou a lógica do incentivo: “Se o incentivo é esse, por que as empresas que estão instaladas no Brasil não vão caminhar da mesma maneira? Por quê? O que impedirá elas?”, finalizou o executivo em seu desabafo.
Mudanças nas regras e o impacto nos preços
O cenário para o carro elétrico deve mudar drasticamente em julho, quando o imposto de importação pode chegar a 35%. O cronograma de elevação gradual da alíquota foi pactuado para incentivar a produção nacional de veículos.
A decisão final sobre as cotas cabe à Camex, que analisa se mantém a facilidade para marcas que estão investindo em fábricas no Brasil. O resultado desse embate definirá os preços e a disponibilidade de modelos eletrificados no mercado.
A fonte original é a Estadão.







