Muitas empresas divulgam relatórios de sustentabilidade impecáveis, mas tomam decisões diárias que contradizem seus próprios compromissos. Esse fenômeno, conhecido como desacoplamento, revela um abismo entre o discurso e a prática corporativa.
Para que o reporte de uma marca seja autêntico, a sustentabilidade precisa estar enraizada na cultura organizacional. Sem esse alinhamento profundo, os documentos tornam-se apenas peças de marketing sem valor estratégico real.
A coerência entre o que é dito e o que é praticado tornou-se o novo padrão de exigência dos investidores modernos, conforme divulgado pelo Estadão.
O desafio da cultura organizacional na gestão de sustentabilidade
O conceito de cultura organizacional vai muito além de slogans em murais. Como alerta o professor Douglas D. Warrick, ela é influenciada pelo que os líderes reforçam como valores fundamentais no dia a dia.
Uma empresa pode até publicar um relatório visualmente perfeito, mas se premiar executivos apenas por resultados financeiros que ignoram riscos ambientais, a cultura seguirá desacoplada da narrativa sustentável.
Padrões globais e a realidade do mercado brasileiro
Com a criação do International Sustainability Standards Board (ISSB), surgiram referências globais para a divulgação de informações de sustentabilidade. No Brasil, a resolução CVM 244 tornou a adoção desses padrões voluntária.
Embora a mudança regulatória reduza a imposição formal, a demanda dos investidores por dados consistentes sobre riscos e oportunidades continua crescendo. As normas definem o que reportar, mas não garantem a coerência interna.
Do greenwashing ao greenhushing
O desalinhamento entre o reporte e a prática gera um vácuo de credibilidade que o mercado percebe rapidamente. Esse cenário alimenta o ceticismo global e movimentos contra a maquiagem nos relatórios, o famoso greenwashing.
Em alguns países, empresas têm até retirado o tema de pauta, prática chamada de greenhushing, por medo da desconfiança. No Brasil, o risco de gerar relatórios desconectados da realidade pode alimentar críticas severas à governança.
Como integrar o ESG às decisões e incentivos
Uma solução prática é incorporar critérios de sustentabilidade nos sistemas de remuneração. Conselhos podem revisar metas de bonificação, incluindo indicadores ESG relevantes para o desempenho dos gestores e líderes da companhia.
Dados do Deloitte Risk Maturity Index (2026) revelam que apenas 39% das empresas brasileiras possuem uma gestão de riscos madura. Isso mostra que, para a maioria, o tema ainda é visto como burocracia, não como estratégia.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir o conteúdo completo em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







