O cenário das compras internacionais no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo de incerteza. A polêmica taxa das blusinhas, que incide sobre produtos importados de até US$ 50, pode não ter sido enterrada definitivamente pelo governo federal.
Embora o presidente Lula tenha zerado a alíquota recentemente, a equipe econômica mantém o sinal de alerta ligado. O Ministério da Fazenda observa de perto o comportamento do mercado para decidir os próximos passos sobre o tributo.
Em entrevista recente, o ministro Dario Durigan explicou que a medida possui caráter regulatório e sua volta depende de fatores específicos da economia brasileira, conforme divulgado pelo Estadão.
O futuro da taxa das blusinhas e a regulação das compras internacionais
O ministro Dario Durigan afirmou que, em caso de desarranjo, é preciso avaliar e, se for necessário, retomar a taxa das blusinhas. Segundo ele, o imposto de 20% funciona como um importante termômetro regulatório.
“A medida é regulatória, portanto, ela foi zerada nesse momento, havendo permissão para que o Ministério da Fazenda acompanhe a evolução”, explicou o secretário, ressaltando que o monitoramento será constante e rigoroso.
Ele destacou que, caso ocorra um avanço desproporcional das importações que prejudique a indústria nacional, o debate público será retomado. A ideia é garantir que o mercado brasileiro não sofra impactos negativos profundos.
Renegociação de dívidas no agronegócio e crédito
Além do e-commerce, Durigan abordou a crise de crédito no campo. Ele alertou que a inadimplência no setor saltou de 2% para 6%, mas pediu cautela para não transformar a potência econômica do país em terra arrasada.
O ministro defende uma renegociação focada apenas em quem realmente precisa de apoio financeiro. Ele teme que medidas genéricas acabem encarecendo o crédito para todos os produtores rurais, gerando um efeito reverso indesejado.
“Se você vier em um grande projeto e disser assim, toda e qualquer taxa de juros para o agronegócio tem que ser limitada a 10%, 12%, o que vai acontecer é um tiro no pé”, afirmou o representante da Fazenda durante a entrevista.
Autonomia do Banco Central e gestão pública
Sobre a autonomia financeira do Banco Central, o ministro vê problemas no texto atual da PEC em discussão. Ele acredita que a proposta pode prejudicar a relação com o Tesouro Nacional e outras carreiras do serviço público.
Durigan aproveitou para criticar gestões passadas, afirmando que muitos órgãos foram depenados e sucateados anteriormente. Ele ressaltou que a União tem trabalhado para recompor orçamentos e quadros técnicos que foram perdidos nos últimos anos.
O ministro afirmou que o governo buscou recompor a autoridade do Estado em várias frentes. Segundo ele, órgãos como o Banco Central sofreram com a falta de concursos e reajustes salariais, o que comprometeu a eficiência das agências.
O futuro político de Dario Durigan na Fazenda
Questionado sobre sua permanência em um eventual novo mandato de Lula, o ministro preferiu não dar uma resposta definitiva. Ele afirmou que essa decisão cabe exclusivamente ao presidente, dependendo do cenário eleitoral futuro.
No entanto, ele reforçou seu compromisso com a agenda democrática e progressista. Durigan lembrou sua trajetória em governos anteriores e na prefeitura de São Paulo, colocando-se à disposição para continuar colaborando com o projeto atual.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original acessando este link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







