As gigantes brasileiras do setor de proteína animal iniciaram o ano de 2026 focadas em garantir estabilidade operacional diante de um desafio comercial importante. Com a imposição de cotas rigorosas pela China, que limitou a importação de carne bovina brasileira, as empresas buscam alternativas para escoar sua produção no segundo semestre.

O governo chinês, através do Ministério do Comércio, oficializou medidas de salvaguarda que incluem tarifas de 55% para volumes que excederem os tetos estabelecidos para cada país. Essa política, vigente até 2028, altera o fluxo global das exportações brasileiras de carne bovina, conforme divulgado pelo Estadão.

A estratégia das companhias é evitar a dependência absoluta do mercado asiático, apostando na diversificação geográfica para manter o ritmo das exportações. Os executivos reforçam que o volume, embora sofra restrições diretas para Pequim, será redirecionado para atender outras regiões com demanda crescente por carne de qualidade.

Diversificação é a aposta contra as restrições chinesas

As lideranças do setor, incluindo Minerva Foods, JBS e MBRF, afirmam que o esgotamento da cota chinesa não representará necessariamente uma perda de volume global. A alternativa é utilizar operações em países vizinhos, como Argentina, Uruguai e Colômbia, para continuar atendendo os clientes chineses sob novas condições logísticas.

A estratégia da Minerva Foods

Para o CEO Fernando Queiroz, a empresa trabalha com a expectativa de que o limite seja atingido no terceiro trimestre. A empresa tem focado em mercados como Estados Unidos, Oriente Médio e Sudeste Asiático, mantendo um crescimento de 24% no volume de embarques no primeiro trimestre de 2026.

O posicionamento da JBS

A JBS destaca a ampliação do mercado norte-americano como um pilar essencial para os próximos meses. O CEO global, Gilberto Tomazoni, ressaltou que a empresa também reforçou a atuação no mercado interno brasileiro, apostando em produtos de maior valor agregado, como a marca Friboi Reserva, para compensar oscilações externas.

Expansão da MBRF

Já a MBRF tem investido na diversificação com foco em aves e produtos halal. Segundo o CEO Miguel Gularte, a empresa obteve quase 200 novas habilitações de exportação até 2025. A companhia acredita que a redução natural nos abates de gado no Brasil ajudará a equilibrar o mercado interno frente à menor demanda chinesa.

O papel dos Estados Unidos no cenário

Os Estados Unidos surgem como um destino estratégico, apesar dos desafios operacionais enfrentados pelos frigoríficos devido à oferta restrita de gado no país. As empresas acreditam que, caso as tarifas americanas sejam temporariamente suspensas, a competitividade brasileira será elevada, consolidando o mercado dos EUA como alternativa viável.

A eficiência dessa transição será colocada à prova no restante do ano, período que exigirá agilidade das exportadoras na arbitragem de preços e destinos. A fonte original desta notícia é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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