Pressão nos custos preocupa economistas e o mercado

A inflação de alimentos no Brasil enfrenta uma ameaça dupla nos próximos anos. Além do impacto direto da guerra entre Estados Unidos e Irã nos preços dos combustíveis e fertilizantes, especialistas apontam que condições climáticas extremas podem criar uma tempestade perfeita para o bolso dos consumidores.

A expectativa de economistas é que a alta nos preços dos insumos agrícolas dificulte o trabalho do Banco Central em manter o IPCA dentro da meta oficial de 3%. O cenário, conforme divulgado pelo Estadão, sugere que o setor de alimentação pode pressionar o índice por dois anos consecutivos.

O grupo de alimentação e bebidas possui um peso relevante no cálculo do índice oficial. Para famílias de diferentes rendas, a variação desses itens é sentida rapidamente, tornando o controle da inflação um desafio complexo para a política econômica brasileira nos próximos meses.

O impacto dos fertilizantes e da logística internacional

O bloqueio no escoamento de fertilizantes decorrente do conflito geopolítico é uma preocupação central para o agronegócio. Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, alerta que não há como evitar o repasse de custos. Como os insumos estão mais caros, o preço final dos produtos que chegam às prateleiras dos supermercados deve subir.

Itens como carnes, ovos, leite, aves e óleos são os mais sensíveis ao preço do petróleo e ao custo de transporte. Segundo Andréa Angelo, estrategista de inflação, o efeito dos fertilizantes tende a ser mais acentuado em 2026, com impactos adicionais significativos sobre as commodities que podem se estender até 2027.

O papel do El Niño na alta dos preços

O fenômeno climático El Niño, com previsão de ganhar força, aparece como um fator de risco adicional. Especialistas como Sergio Vale, da MB Associados, indicam que a combinação de déficit hídrico com a alta de custos pode elevar a inflação acumulada de alimentos em até 10% no ano, dependendo da severidade do clima.

Estimativas da G5 Partners reforçam que anos com a presença desse evento climático registraram, historicamente, inflação média de alimentos muito superior aos períodos de neutralidade. Culturas de ciclo curto, como frutas e legumes, seriam as primeiras a sofrer reajustes expressivos nos mercados.

Desafios para o Banco Central

Manter a inflação sob controle em meio a essas incertezas globais e climáticas será uma tarefa difícil. As projeções indicam que, mesmo com uma desaceleração moderada, o setor de alimentos continuará operando com margens que dificultam o alcance da meta de 3% estipulada pelo Banco Central.

O monitoramento do andamento da guerra e das previsões meteorológicas será constante pelos economistas. A possibilidade de um cenário extremo, que adicione pontos percentuais ao IPCA, mantém o mercado em estado de alerta para os desdobramentos sobre a economia doméstica.

A fonte original da notícia é o Estadão, que você pode conferir na íntegra através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
A floresta que sustenta o agro

A floresta que sustenta o agro

A relação entre Brasil e China costuma ser analisada sob a lente…
Gol anuncia que passa a representar comercialmente a Avianca no mercado brasileiro

Gol assume voos da Avianca no Brasil: veja o que muda para os passageiros e o Grupo Abra agora!

Parceria estratégica entre gigantes da aviação fortalece o Grupo Abra e expande a conectividade internacional no mercado brasileiro.
Trump impõe tarifa de 50% sobre o Canadá por ‘discriminar’ automóveis e bebidas dos EUA

Trump choca o mercado e impõe tarifa de 50% sobre produtos do Canadá: entenda o impacto econômico

Decisão de Donald Trump foca em laticínios e automóveis, mas também cita fumaça de incêndios canadenses
Siderúrgica chinesa ameaça processar Reino Unido por nacionalização da British Steel

Siderúrgica chinesa ameaça processar Reino Unido e acusa governo de roubo descarado; entenda

A disputa bilionária entre a gigante Jingye e o governo britânico ganha novos capítulos após a nacionalização da British Steel.