A tensão entre o Governo Federal e o Distrito Federal ganhou novos capítulos nesta quinta-feira. O centro da disputa é a crise do BRB, que aguarda um aporte bilionário para evitar um colapso financeiro de grandes proporções.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu duramente às acusações de que a União estaria sendo lenta em liberar os recursos necessários. Ele destacou que o banco precisa demonstrar viabilidade para receber o suporte financeiro.
O impasse envolve um empréstimo de R$ 6,6 bilhões e coloca em risco depósitos judiciais que somam valores astronômicos, conforme divulgado pelo Estadão.
O impasse bilionário e as exigências do Governo Federal
O plano de negócios e a indignação da Fazenda
Dario Durigan expressou profunda insatisfação com a alegação de inércia feita pelo governo do DF. Segundo o ministro, as equipes federais têm trabalhado intensamente para viabilizar a solução da crise do BRB, mas faltam dados concretos.
“Estarei na audiência pública na próxima quinta-feira, designada pelo ministro Fux, para levar, inclusive, essa fala de indignação das equipes”, afirmou Durigan. Ele reforçou que o processo exige transparência e um planejamento sólido por parte do banco.
O ministro relatou que, para liberar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões, o BRB deve apresentar informações detalhadas sobre seu plano de negócios. Essa etapa é fundamental para convencer o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e outras instituições bancárias.
Riscos ao Judiciário e depósitos bilionários
A urgência para resolver a crise do BRB também parte do Supremo Tribunal Federal. O ministro Luiz Fux alertou que uma eventual quebra da instituição teria um impacto devastador na autoridade e na operação do Judiciário brasileiro.
Existem cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais custodiados pelo banco público, provenientes de cinco Tribunais de Justiça estaduais. Fux pediu que a situação fosse solucionada o quanto antes para proteger esses recursos e a estabilidade institucional.
“Se o BRB, como eu disse na reunião com o ministro Fux, tem um plano de recuperação crível, basta apresentar aos bancos, ao FGC, que certamente vai avaliar e tomar a decisão de fazer o empréstimo”, pontuou o ministro da Fazenda.
A origem da crise e as perdas com o Banco Master
Durigan foi enfático ao dizer que os problemas enfrentados pela instituição têm origens que precisam ser apuradas. Segundo ele, o banco precisa ser capitalizado para lidar com perdas severas decorrentes da compra de ativos falsos que pertenciam ao antigo Banco Master.
O Banco Master, de Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central no final de 2025, deixando um rastro de prejuízos que agora sufocam o BRB. O ministro reiterou que o acordo mediado pelo STF é o único caminho viável no momento.
O governo federal descarta alterar os termos já estabelecidos na mesa de conciliação. A expectativa agora gira em torno da audiência do dia 13, onde as garantias ofertadas pelo governo do DF serão novamente avaliadas sob a ótica da segurança jurídica.
Críticas às propostas políticas da oposição
Além da questão técnica, Durigan ironizou propostas de oposição que sugerem a criação de conselhos de governança entre os Três Poderes. Para ele, o governo Lula já mantém uma interlocução democrática e eficiente com o Congresso e o STF.
Ele citou como exemplo positivo a resolução de impasses sobre a desoneração da folha de pagamentos. Para o ministro, ataques à Suprema Corte, vindos de setores que agora propõem pactos, não parecem críveis ou produtivos para o ajuste fiscal.
A discussão sobre a crise do BRB segue como prioridade na agenda econômica, dada a sua relevância para o sistema financeiro do Distrito Federal e para a segurança dos depósitos judiciais de milhares de cidadãos brasileiros.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







