A iminente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a nova distribuição dos royalties do petróleo coloca cidades como Araruama em estado de atenção. O temor é que municípios precisem se adaptar rapidamente a uma nova realidade orçamentária.

O cenário não é inédito, pois Campos dos Goytacazes já enfrentou uma redução drástica em seus cofres. Entre 2014 e 2025, a cidade viu seus repasses caírem 58%, conforme dados divulgados pelo Estadão.

Especialistas alertam que o caso serve como um estudo de caso sobre a importância de diversificar a economia local antes que a renda da exploração diminua. A situação evidencia os perigos de manter uma cidade excessivamente dependente de recursos finitos.

A crise da dependência dos royalties em Campos dos Goytacazes

Diferente do contexto atual do STF, a queda em Campos ocorreu pela retração dos preços do barril e pela maturidade dos campos de exploração. A receita, que chegava a representar 72% do orçamento municipal, encolheu significativamente ao longo da última década.

Com menos dinheiro circulando, o município foi forçado a realizar cortes profundos em áreas essenciais. A gestão pública reduziu 97% das verbas para a segurança e 95% dos investimentos voltados ao saneamento básico, gerando um impacto direto na rotina da população.

Erros no uso do dinheiro e falta de planejamento

Pesquisadores apontam que um dos grandes equívocos foi o uso dos recursos em entretenimento e shows, em vez de focar em projetos produtivos. Segundo o professor José Luis Vianna da Cruz, foram gastos públicos que não deixaram herança sustentável.

Lia Hasenclever, pesquisadora da UFRJ, reforça que a cidade falhou ao não usar os períodos de fartura para industrializar a região. “Campos não aproveitou os royalties nem se preparou para quando a renda acabasse”, afirmou a especialista.

Fracasso de fundos de desenvolvimento

Uma tentativa de diversificação foi a criação de um fundo econômico que desembolsou centenas de milhões de reais sem sucesso. Estudos mostram que o dinheiro foi aplicado de forma aleatória, sem um planejamento estratégico robusto para atrair novas indústrias.

O fundo acabou privilegiando setores tradicionais que já dominavam a região, em vez de fomentar a inovação. A dependência de uma atividade extrativista manteve a cidade vulnerável às oscilações constantes do mercado mundial, comprometendo o futuro econômico.

Lições para o futuro das cidades

Apesar da crise, o exemplo de cidades como Niterói e Maricá mostra caminhos diferentes. Esses municípios estabeleceram fundos soberanos com gestão técnica e disciplinada, garantindo uma reserva para momentos de instabilidade financeira futura.

A história de Campos dos Goytacazes deixa um legado claro para outras prefeituras: o petróleo não é uma fonte eterna de riqueza. O planejamento urbano e o investimento em setores variados são as únicas formas de proteger a economia local.

A fonte original é o Estadão: https://www.estadao.com.br/economia/campos-goytacazes-queda-royalties-petroleo/

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