Os recentes conflitos globais, incluindo as tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, colocaram em xeque a dependência brasileira de insumos externos. O cenário revela que a falta de autonomia em itens como diesel e fertilizantes fragiliza o país diante de instabilidades no mercado internacional.

A crise da pandemia de coronavírus já havia servido como um alerta sobre a necessidade urgente de produzir insumos básicos e vacinas localmente. Conforme divulgado pelo Estadão, esses episódios reforçam que estratégias de mercado nem sempre protegem a nação em momentos críticos.

A busca por um modelo de desenvolvimento mais sólido tornou-se uma prioridade diante da falha de teses baseadas apenas na globalização desenfreada. A questão agora é definir o que deve ser prioridade pública para garantir a segurança da economia nacional.

Repensando o papel do Estado e a privatização de serviços

Durante muito tempo, acreditou-se que o Estado deveria reduzir drasticamente sua participação na economia. No entanto, o fracasso de concessões essenciais, como no setor de energia elétrica em São Paulo, demonstrou que a privatização não é uma solução definitiva.

Para o cidadão, o modelo de propriedade da empresa importa menos do que a eficiência na entrega do serviço. A crise de serviços fundamentais, como energia e saneamento, mostra que o mercado nem sempre consegue oferecer a qualidade esperada pelo consumidor.

Lições da China e a autonomia econômica

Países que hoje despontam como potências não seguiram cegamente as receitas liberais tradicionais. A China, por exemplo, ignorou preceitos do Consenso de Washington e, ainda assim, conseguiu desafiar a hegemonia econômica dos Estados Unidos com sucesso.

Isso prova que a disciplina fiscal e a abertura de mercado são importantes, mas não garantem o desenvolvimento por si sós. Cada nação precisa encontrar seu próprio equilíbrio, equilibrando a gestão estatal com as forças do mercado para proteger seus interesses.

Modelos de bem-estar e o foco no consumidor

Os países nórdicos oferecem um exemplo interessante de como o capitalismo pode coexistir com um forte bem-estar social. Nessas nações, o Estado atua de forma estratégica, provando que não existem fórmulas mágicas ou monopólios da verdade para o sucesso.

O foco central deve ser a garantia de uma vida digna, com serviços de alta qualidade para toda a população. O Brasil precisa, portanto, definir claramente quais setores estratégicos exigem controle público para não depender de volatilidades externas.

Em última análise, o sucesso de uma nação depende da capacidade de adaptar suas estruturas às novas realidades geopolíticas. A fonte original desta matéria é o Estadão.

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