A Agrishow, feira de tecnologia agrícola realizada em Ribeirão Preto, revela um cenário desafiador para o agronegócio neste ano. Produtores rurais relatam dificuldades em renovar suas frotas devido aos custos elevados e à restrição no acesso ao crédito bancário tradicional.

O desaquecimento no mercado de máquinas é puxado por uma combinação de juros altos, inadimplência e margens de lucro reduzidas no campo. A instabilidade dos preços das commodities pressiona o orçamento de quem precisa investir em tecnologia para manter a produtividade.

Segundo o que foi divulgado pelo Estadão, essa realidade tem levado os agricultores a buscarem alternativas como o consórcio, a locação de equipamentos e a compra de máquinas seminovas para contornar a escassez de recursos e as taxas proibitivas.

Mudança de estratégia no campo frente aos juros

Muitos produtores, como Patrícia Marra, que cultiva soja e milho, estão evitando novos endividamentos bancários. A estratégia agora é priorizar modalidades de compra programada, que oferecem custos administrativos menores e maior previsibilidade financeira.

Nas revendas de máquinas, a procura por consórcios disparou. Especialistas apontam que essa ferramenta deixou de ser apenas uma opção de longo prazo para se tornar uma estratégia de composição de cesta, permitindo quitar financiamentos ou adquirir bens sem comprometer o capital de giro.

Alta expressiva na procura por consórcios

O setor de consórcios apresenta números expressivos na feira, com administradoras registrando crescimentos que chegam a 70% nas vendas comparado a edições anteriores. O movimento é validado pela Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac).

A entidade destaca avanços no número de participantes ativos e no volume de créditos liberados no mercado nacional. O consórcio atua como uma solução robusta para o produtor que prefere não arcar com as altas taxas vigentes nos financiamentos bancários convencionais.

Locação e seminovos como alternativa

Além dos consórcios, a locação de máquinas de linha amarela tornou-se uma tendência forte. Empresas do setor oferecem contratos de prazos flexíveis, permitindo que o produtor utilize equipamentos modernos sem precisar imobilizar grandes quantias de capital para a compra definitiva.

Essa modalidade inclui serviços de manutenção, evitando interrupções na colheita por quebras. A venda de seminovos, oriundos dessas frotas de aluguel, também surge como uma oportunidade valiosa para quem deseja possuir sua própria máquina a um custo muito mais acessível.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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