Durante a 31ª edição da Agrishow, o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, fez duras críticas à atual política agrícola nacional. Ele alertou que o setor enfrenta um processo de endividamento severo, que pode resultar na perda de propriedades rurais para instituições financeiras.
Segundo o secretário, o produtor rural enfrenta atualmente taxas de juros que beiram a extorsão, dificultando a continuidade das atividades produtivas. Melo Filho classificou essa situação como uma espécie de reforma agrária imposta pela falta de condições financeiras, conforme divulgado pelo Estadão.
O desabafo de Melo Filho evidencia a tensão entre o setor produtivo e as medidas anunciadas pelo governo federal na abertura da feira. O representante do governo paulista questionou a eficácia das promessas de crédito feitas pelo Executivo para o agronegócio brasileiro.
A preocupação com o endividamento e a perda de terras
O secretário afirmou que muitos produtores rurais estão sendo levados a um cenário de insolvência. Ele destacou que, diante de margens mínimas ou até negativas, os altos encargos financeiros tornam a sobrevivência na atividade extremamente complexa para as famílias do campo.
Melo Filho argumentou que o campo não está passando por uma mudança estrutural planejada, mas sim por uma expulsão financeira. O gestor enfatizou que o Estado, neste contexto, atua como um sócio que exige resultados positivos, mas se ausenta nos momentos de crise.
Críticas ao Plano Safra e ao crédito anunciado
Durante seu discurso, o secretário classificou o crédito anunciado pelo governo federal como um recurso fantasma. Segundo ele, as promessas carecem de taxas de juros claras e prazos definidos, o que gera uma sensação de incerteza profunda entre os agricultores.
O Plano Safra, na visão do secretário, perdeu a relevância necessária para sustentar a produção. Ele criticou ainda a insuficiência dos recursos destinados ao seguro rural, que costumam desaparecer do orçamento assim que ocorrem os primeiros contingenciamentos.
Recordes de inadimplência e a resiliência do setor
Apesar do cenário crítico, o agronegócio continua alcançando recordes de produtividade e exportação, o que, para o secretário, é reflexo direto da competência técnica do produtor. No entanto, ele reforçou que a capacidade de superação possui um limite geográfico e econômico.
Melo Filho alertou para a crescente preocupação com os índices de inadimplência e o aumento das recuperações judiciais. Ele pontuou que o sucesso na colheita não esconde a gravidade da situação financeira vivenciada por quem mantém a economia do país aquecida.
O impacto da gestão nas atividades rurais
O secretário lamentou a falta de um direcionamento focado nas dores reais do produtor. Para ele, a falta de ação governamental acaba inviabilizando atividades fundamentais, transformando o esforço de quem trabalha na terra em uma disputa financeira desleal com o sistema.
Melo Filho concluiu ressaltando que, enquanto a liderança nacional não priorizar as necessidades do campo com medidas efetivas, o produtor continuará operando sob um sistema que, segundo ele, pesa excessivamente sobre quem coloca a comida na mesa do brasileiro.
A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







