As empresas brasileiras enfrentam um cenário desafiador com a manutenção dos juros em patamares elevados, o que tem drenado o caixa e dificultado a sobrevivência de diversos setores nacionais.
O custo médio do crédito para companhias abertas e fechadas deu um salto significativo no último ano, tornando a rolagem de dívidas um fardo pesado para os empreendedores que buscam capital.
Esse fenômeno afeta desde gigantes da infraestrutura até os pequenos negócios, que sofrem com a falta de fôlego para investir e crescer, conforme divulgado pelo Estadão.
O peso da taxa Selic e o custo das dívidas corporativas
Os juros elevados estão pesando cada vez mais no caixa das empresas brasileiras. Um levantamento do Cefeb, vinculado à Fipe, mostra que o custo médio das dívidas chegou a 16,79% ao ano em abril.
Esse valor representa uma alta considerável em comparação aos 14,17% registrados no mesmo mês de 2024. O cálculo considera todo o estoque de dívidas das companhias, e não apenas as novas captações.
A subida da taxa Selic, que saltou de 2% em 2021 para o patamar atual de 14,25% ao ano, é a principal causa desse encarecimento. O objetivo do Banco Central é controlar a inflação, mas o preço é alto.
O efeito do deslocamento e o avanço da dívida pública
O mercado observa com preocupação o fenômeno chamado de crowding out, ou efeito deslocamento. Isso ocorre quando o governo gasta mais e emite títulos da dívida, atraindo o capital dos investidores.
Com a Dívida Bruta do Governo Geral alcançando 80,1% do PIB, o mercado cobra caro para financiar o Estado. Como o risco público é menor que o privado, sobra menos dinheiro e crédito barato para as empresas.
O economista Roberto Troster alerta que a situação está se agravando. Segundo ele, o governo demanda mais liquidez, tornando o acesso a recursos para o setor privado cada vez mais difícil e restrito.
Pequenos negócios são os mais atingidos pela crise
Os efeitos desse cenário não atingem todos da mesma forma. Enquanto grandes empresas acessam o mercado de capitais, as micro e pequenas dependem do crédito bancário, onde as taxas são muito superiores.
Nesse segmento, os juros alcançaram 19,4% ao ano. O reflexo imediato aparece na inadimplência, que atingiu o recorde histórico de 6% entre as pequenas empresas, contra apenas 0,6% nas grandes companhias.
O número de CNPJs negativados também impressiona, passando de 5,95 milhões em 2022 para 8,8 milhões no início de 2026. Esse dado reforça o alerta para um possível processo de estrangulamento financeiro.
Setor de infraestrutura reduz planos de expansão
Projetos de longo prazo estão sendo reavaliados. Guilherme Bastos, presidente da Trivia Trens, afirma que o cenário de crédito preocupa para novos investimentos, já que as taxas bancárias superam os 20% ao ano.
Para que um projeto faça sentido hoje, a margem de lucro precisa ser altíssima. Caso contrário, o pagamento de juros consome toda a capacidade de operação da empresa, inviabilizando a expansão do serviço.
Especialistas defendem que, para reverter esse quadro, o Brasil precisa de reformas estruturais e uma política de crédito que reduza a tributação e os compulsórios, facilitando a circulação de capital na economia.
A fonte original é o Estadão e você pode ler a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







