O Brasil alcançou números inéditos nas exportações de petróleo no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por uma produção histórica e pela crescente demanda asiática.

Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que mantém controle total do Estreito de Ormuz, avisando que qualquer erro dos inimigos poderia resultar em um “redemoinho mortal”.

Esses dois cenários se cruzam, pois a turbulência no estreito, que movimenta 20% da produção mundial de petróleo, afeta diretamente as rotas de exportação brasileiras. Conforme divulgado pelo g1.

Aumento recorde nas exportações de petróleo brasileiro

No primeiro trimestre de 2026, as exportações totalizaram US$ 82,3 bilhões, superando os US$ 76,9 bilhões do mesmo período em 2025, o maior valor já registrado.

As vendas de petróleo bruto cresceram 31%, alcançando US$ 12,562 bilhões. “Vemos essa melhora nas exportações desde o final do ano passado. E é uma melhora que veio principalmente pelo volume de exportação, não de preço”, explicou Julia Marasca, economista do Itaú.

Produção em alta, mas com limites

Em 2025, a produção nacional atingiu 3,770 milhões de barris por dia, recorde segundo a ANP. Em 2024, o número era 3,358 milhões. “As empresas já estão operando numa capacidade máxima de produção. É positivo no curto prazo, mas depende de ampliar a capacidade nacional”, completou Marasca.

Demanda asiática impulsiona o recorde

As exportações para a China saltaram de US$ 3,702 bilhões para US$ 7,192 bilhões, e para a Índia de US$ 577,4 milhões para US$ 1,027 bilhão. Daiane Santos, da UERJ, destacou que “a China aumentou consideravelmente a demanda por combustível brasileiro”.

Instabilidade no Estreito de Ormuz e seus reflexos

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que mantém “controle total” do estreito e que navios inimigos que errassem poderiam ficar presos em um “redemoinho mortal”. Em 17 de abril, o Irã havia anunciado abertura total da passagem, mas reabriu o bloqueio no dia seguinte.

Segundo Lívio Ribeiro, da FGV/Ibre, “há um cenário de diversificação dos ofertantes por causa do fechamento do Estreito de Ormuz”. O risco de interrupções na rota pode elevar ainda mais os preços internacionais do petróleo, que já ultrapassaram US$ 110 por barril.

Projeções econômicas e perspectivas

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços elevou a projeção de exportações para 2026 de US$ 348,3 bilhões para US$ 364,2 bilhões, e o superávit comercial de US$ 68,1 bilhões para US$ 72,1 bilhões.

Entretanto, analistas alertam que a dependência de commodities deixa a economia vulnerável a choques externos, como a guerra no Oriente Médio. “Depender das exportações de commodities significa que não temos controle, porque sobem ao sabor dos acontecimentos”, afirma José Augusto de Castro, da AEB.

A situação do Estreito de Ormuz, portanto, permanece como um fator crítico que pode influenciar tanto os preços internacionais quanto a segurança das rotas de exportação brasileiras.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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