A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou nesta segunda‑feira, 13, que a crise no Estreito de Ormuz pode se transformar em uma catástrofe para o sistema agroalimentar mundial.

Segundo o economista‑chefe da FAO, Máximo Torero, “o tempo está se esgotando e os navios que transportam insumos agrícolas críticos precisam voltar a circular pela região o mais rápido possível para evitar uma disparada na inflação de alimentos ainda este ano”.

O alerta surge enquanto o estreito permanece fechado desde 28 de fevereiro, mesmo após um cessar‑fogo anunciado em 7 de abril, deixando o mercado global em alerta máximo (fonte: Estadão).

Impactos imediatos do bloqueio de Ormuz

O estreito controla cerca de 35% do petróleo bruto mundial, 20% do gás natural e até 30% dos fertilizantes comercializados internacionalmente. A FAO estima que entre 20% e 45% dos principais insumos agrícolas dependem dessa rota marítima.

Estoque e preços

Torero explicou que os preços das commodities ainda não subiram de forma expressiva porque os estoques existentes estão absorvendo o choque inicial. Contudo, ele alerta que, se o tráfego não for retomado, as pressões nos mercados de energia e fertilizantes serão traduzidas em preços mais altos para os consumidores ao longo de 2026 e 2027.

Desafios para os agricultores brasileiros

Com o início das temporadas de plantio, os produtores terão de escolher entre absorver custos de insumos mais elevados ou reduzir a aplicação de fertilizantes, o que prejudicará a produtividade das lavouras.

Recomendações da FAO

A organização defende que os países evitem restrições às exportações e reconsiderem mandatos de biocombustíveis que possam encurtar a oferta global de alimentos. Torero ainda sugeriu o uso de mecanismos financeiros multilaterais, como o FMI, para fornecer crédito rápido a nações de baixa renda dependentes de importações de fertilizantes e energia.

Para a FAO, o bloqueio de Ormuz é um fator que os governos podem e devem resolver por meio de soluções diplomáticas, diferentemente de desastres naturais ou eventos climáticos, como o El Niño.

A fonte original da matéria é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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