O Guarda Revolucionária do Irã declarou ter “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, ponto estratégico que movimenta cerca de 20% do petróleo mundial. A medida ocorreu nesta segunda‑feira, 13 de abril, e já provocou a reação dos Estados Unidos, que iniciaram bloqueios na rota como retaliação.

O aumento imediato do preço do barril de petróleo, que ultrapassou US$ 100 na abertura dos mercados, desencadeia uma cadeia de elevações nos custos de combustíveis, fretes e, consequentemente, dos produtos que chegam ao consumidor final.

Segundo a coluna de Camila Farani no Estadão, esse encadeamento de custos afetará diretamente o preço dos alimentos e outros itens nas prateleiras, criando um cenário de ruptura de estoque e pressão sobre o poder de compra das famílias brasileiras.

Impacto do bloqueio do Estreito de Ormuz na economia brasileira

Do petróleo ao diesel: a transmissão do preço

O Estreito de Ormuz tem apenas 33 km de largura, mas concentra cerca de um quinto do petróleo global. Quando a rota é bloqueada, o preço do petróleo sobe, arrastando o diesel, que representa entre 30% e 40% dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas no Brasil.

Repercussão no frete e nos preços ao consumidor

O aumento do diesel eleva o custo do frete, que por sua vez encarece tudo que depende de transporte. Como quase todo o comércio interno depende de caminhões, o efeito inflacionário se propaga rapidamente para os supermercados.

Ruptura de estoque e pressão sobre o varejo

Empresas já apontam rupturas de 5% a 10% nas principais redes varejistas, mesmo antes de qualquer ajuste de preço nas prateleiras. Isso significa falta de produtos, forçando o consumidor a escolher entre pagar mais ou procurar concorrentes.

Perspectivas de inflação segundo a Fiemg

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) divulgou três cenários de impacto: moderado (+2,29 p.p. na inflação), severo (+4,60 p.p.) e extremo (+7,66 p.p.), este último associado ao bloqueio total e prolongado de Ormuz. Nenhum dos cenários indica que o efeito será imediato nas notas fiscais, mas a defasagem de semanas pode separar quem reage a tempo de quem sofre as consequências.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, somado à restrição de fertilizantes pela China, à alta da Selic em 15% e ao já apertado orçamento familiar, cria uma “correlação de choques” que intensifica a pressão inflacionária no Brasil.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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